quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poema número dezassete/ Como (quase) tudo começou

Este bichinho da escrita e da poesia não é recente. Desde menino que me sinto preso a este mundo e não tenho vontade de lhe escapar.
Lembro-me de ter um poema exposto na escola. Poema esse que se encontra emoldurado e que ainda hoje me intriga. Tinha dez anos e vivia entre dois mundos, os mesmo em que vivo ainda hoje - embora hoje já as maçãs estejam maduras e eu já as tenha provado e o céu por vezes se vista de cinzento. Lembro-me da minha primeira carta de amor ( ou de ódio ). No meu sétimo ano, fui rejeitado pela rapariga de quem gostava. Eis o impulso de escrever para ela. O bicho a puxar-me a mão para a caneta. Escrevi palavras de amor e de ódio. Palavras das quais hoje não me lembro. Mas, escrevi... Já nessa altura falava em amor. Não sabia o que era o amor. Imaginava. Ainda hoje não sei o que é o amor. Continuo a imaginar. Anos mais tarde, apaixonei-me novamente. Apaixonei ? Acho que sim. Gosto de pensar que sim. O bicho apareceu novamente. Desta vez para ficar. Começou uma odisseia de palavras, de sentimentos cravados em folhas de papel e quadros pintados ao sabor de metáforas. Escrevo em busca do amor. O tal amor que não sei de onde vem, nem para onde vai. Espero que um dia ele me encontre ao virar da esquina, ou me acene no final dum verso...

Poema número dezassete, o começo da odisseia:


A Chama de Nosso Amor – para Vanessa A.


Porque somos duas almas gémeas
Criadas pelo mesmo Criador
Porque gozamos das mesmas alegrias
Porque sofremos da mesma dor
Fazemos parte dum mundo, emerso na desilusão
Tentamos moldá-lo, mas somos a sua criação
Nascidos numa tela em branco,
Pintados pela mesma mão,
Nosso Pintor superou-se, esqueceu a razão
Da irracionalidade divina, nasceu a confusão
O caos do mundo, do universo
Ironicamente criado pelo Criador
Tentando ludibriar a vida, esqueceu-se do amor.
Pela mesma razão nos revoltamos,
Porque ninguém nos ouve, gritamos!
O mundo luta contra nossa alegria
Tenta destruir o que nos une,
A união que nos dá força, esta harmonia.
Não reparam? A harmonia que vos rodeia…
A harmonia da chuva que cai, e volta para o céu
Das marés, que mudam ao ritmo do luar,
Das canas que abanam, com o vento a soprar
O amor maravilhoso que há, entre ela e eu!
Expliquem-me o porquê, de tanto ódio, sofrimento,
Se o tempo são pedaços infinitesimais de vida
Nos quais me perco, pensando na alegria…
A alegria de a trazer, sempre em meu pensamento.
Rejubila o Criador, por sua obra se recompor,
Percebe que o frio mundano, por vezes dá calor.
Pintados numa tela, de alegria sorrimos,
Temo-nos um ao outro e o mundo em redor.
Nem o tempo poderá apagar, a chama de nosso amor!



PedRodrigues

1 comentário:

  1. Um infinitésimo de segundo basta para te mudar a vida.

    http://www.youtube.com/watch?v=By7ctqcWxyM

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