segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Poema número onze

De um ponto de vista niilista, eu digo:

Sou um nada vestido de homem
Não sinto nada, nada me excita
nada me seduz, nada me entristece
sou um nada vestido de homem
ninguém me quer e eu não quero ninguém
desejo tudo o que posso ter: nada
vejo o mundo, mas o mundo não me vê
(e eu não quero que ele me veja)
o mundo chama-me e eu não o quero ouvir
sinto-me bem no nada, embora nada sinta
ouço falar em amar, amor e amantes...
o mundo chama por mim
mas eu sou um nada vestido de homem
ás vezes sinto-me nu e nada sinto
nem vergonha, nem pudor, nem frio, nem calor...
ouço falar em amantes, amar e amor
e nada sinto, não sinto nada...
todos me querem, mas eu não quero nada
não quero nada, nem ninguém
o mundo chama por mim, uma última vez:
se te pudesse dar tudo, o que querias?
Uma última vez eu respondo ao mundo,
despido, sem pudor, frio ou calor:
se eu pudesse ter tudo, não queria nada!

PedRodrigues

1 comentário:

  1. Absolutamente lindo... Continua amigo.. acho k despertou essa tua veia linda para a poesia.. grande abraço

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