sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poema número vinte e nove

Naturalmente



Que ardor agreste é este, amor
Que me deste, ao fulminar com um olhar
Fulminante de fogo em esplendor
Que arde no peito sem queimar
Aurora boreal a céu rasgado
Rasgando-me a carne em cada gesto
Com os pés no areal pelo mar beijado
Gesticulando ao longe enquanto eu peço
Que me poupes o peito com espinhos cravado
Sentindo o vento que nos beija aos dois:
Carícia nos lábios, travo a mel
Tocando-me antes, agora e depois
Do cheiro a maresia se incrustar na pele
Do mar que nos separa, eu sinto ciúme
(Deste mesmo mar que os continentes une)
Fazendo de mim náufrago de nosso amor
Abraça-me vento, não me largues por favor
Que a solidão hoje não me mata, mas mói
E o coração que outrora batia com fulgor
Hoje é a sombra do que um dia foi
Não me fujas vento, que hoje sou filho da solidão
Abraça-me vento, que sou refém de meu coração...

PedRodrigues

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