domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cheira bem, cheira a Lisboa

Às portas de Lisboa o cheiro começa a sentir-se. Traz-me à memória as tardes de verão na casa da avó Alice; os finais de tarde no Dafundo, na casa da tia Graça, sentado à varanda a ver as pessoas lá em baixo tão pequeninas. Nessa altura, ia pelo menos duas vezes por ano a Lisboa. Tenho saudades.
As férias em casa da avó Alice faziam parte de um ritual anual de quando era mais pequeno. Adorava o cheiro da casa. O cheiro do soalho antigo, misturado com o dos detergentes e da comida, misturado com o cheiro de Lisboa - embora a casa da avó Alice esteja situada lá para os lados de Cascais. Lembro-me de fazer praia na linha do Estoril. Nessa altura, era novo demais para apreciar de forma decente as formas da silhueta feminina, mas ao meu jeito de miúdo lá sentia uma comichão na zona genital e um frio na barriga quando via aquelas tias semi nuas a apanharem banhos de sol. Lembro-me dos passeios no Parque Municipal de Cascais, das tardes de futebol com o meu padrinho e o meu primo Hugo, na Amoreira. Os bons velhos tempos.
No Dafundo as tardes de verão eram brindadas com visitas ao Aquário Vasco da Gama - ainda me lembro da excitação antes de entrar. Tenho saudades dos jantares na marisqueira e das conversas ao café nas Docas. A vida é simples quando não a entendemos. A vida complica-se quando nos esquecemos das coisas simples. Ás portas de Lisboa o cheiro traz-me a nostalgia. O sol brilha de forma diferente ao passar as portas de Lisboa. As praias da linha ainda me deixam de sorriso no rosto. Que saudades da baía de Cascais.
Hoje a avó Alice chegou de Lisboa. Trouxe amêndoas torradas e marmelada. Não trouxe o cheiro de Lisboa. Hoje restam-nos as histórias de quando a vida era simples. Adoro quando nos lembramos em conjunto, de sorriso no rosto.


PedRodrigues

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