domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sonhar não custa...

Esta noite sonhei. Não foi bonito, não foi trágico, não entendi e gostava de me lembrar de toda a panóplia de situações em que estive envolto. Lembro-me do erotismo das oito da manhã - julgo eu. A forma como os nossos corpos se dobravam e moldavam ao espaço envolvente. Lembro-me do rosto dela: olhos castanhos, lábios vermelho sangue e tez morena; as pestanas faziam uma curva perfeita, fazendo lembrar as ondas do mar num dia não mais natural que o normal. O corpo dela era a junção perfeita entre a melhor das virtudes e o pior dos pecados - se pelo menos eu soubesse onde fica a linha que separa ambos. Há deusas entre os homens. Ela sorria para mim - um sorriso perfeito de capa de revista - e amava-me com todos os dentes que tinha. Os sorrisos enganam, mas não aquele. O meu corpo dormente das peripécias da noite, ainda agora se queixa do auge da libido em que me encontrava lá para as dez da manhã. Ela estava sentada algures -  não sei dizer onde. O cabelo castanho claro penteado ao estilo dos anos 70 abanava ao sabor da brisa invernal que se fazia sentir. Não lhe via a pele de galinha, talvez por culpa do calor de nossos corpos. Lembro-me de quando olhei para ela. Perdidos no silêncio, falando entre olhares, encontrámos no brilho mútuo dos olhos o ponto em comum que nos unia. Quem somos? Para onde vamos?
"Segue-me"
A mente dela abria portas que julgava trancadas. O coração acelerava de forma infernal. Cavalos de potência que julgava não existirem. Neste momento não interessava quem somos, apenas para onde vamos. A mão dela pedia-me que a seguisse. O vestido justo ao corpo fazia-me perder por instantes num patamar de indecência que me desviava a atenção do verdadeiro prémio.
"Aqui"
Sussurrava ela com a boca tocando a minha. O eco das palavras vibrando nos meus lábios e reflectindo na garganta. Os nossos corpos tremendo pela vontade de conquistar o êxtase. O vestido levantado pela cintura e as minhas mãos perdendo-se nas coxas dela. As unhas dela rasgando-me a carne nas costas. Os beijos atabalhoados pela vontade de conquistar o corpo um do outro. Cada vez mais intensos; cada vez mais ofegantes. Os movimentos dos corpos harmónicos e cíclicos eram esquecidos e abafados pelo som dos gemidos tímidos. Para onde vamos?
Atingido o clímax o sonho torna-se um pouco confuso. Ela já não está lá. As imagens são tão nítidas como a lua escondida atrás do nevoeiro. Ela já não está lá. Eu não a encontro. Ela faz-me falta; muita falta. Para onde vou? Quem és?


PedRodrigues

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