sábado, 5 de março de 2011

Caminhos

A história é esta: um homem que se reinventa a cada mudança de direcção. Um homem perdido, em busca do amor. Tomando sempre as escolhas erradas, por que convenhamos: só há uma escolha certa e infinitas possibilidades de errar. Uma pessoa, uma máscara que usa para cada ocasião. Um homem que não ama, embora tudo o que faça, faça por amor. Um homem de fato preto e camisa branca a fazer lembrar os actores do cinema noir. Com charme em dose e meia - e mais alguns truques na manga do casaco preto, do fato. Um homem derrotado pelas sucessivas mudanças de direcção. Esbatido pela erosão do tempo. A história é um musical. Uma panóplia de mulheres e um desfile de estrogénio capaz de levar qualquer um à loucura. A busca pela felicidade e a vitória da beleza. Um baile de máscaras e sorrisos falsos. De danças de salão e corpos enrolados ao sabor dos ritmos quentes. De caminhos tortuosos, olhares indiscretos e setas erradas. Direcções trocadas e musas em todas elas. Mulheres em pedestais a sucumbirem ao charme do homem de fato preto, camisa branca e olhos verdes. A história é uma cidade, um rio, duas margens. Caminhos que não se cruzam, se lhe faltar a vontade. É uma mulher, um caminho, uma musa, sofrimento, paixão, glamour... A história é norte, sul, este e oeste. Se pelo menos o homem soubesse por onde seguir. A história é uma mulher e uma centena de mulheres. Dividir e conquistar, quando juntos somos mais fortes. É este o problema das histórias dos homens charmosos de fato preto, camisa branca, olhos verdes e barba de dois dias: todos os caminhos vão dar a Roma, por mais longa que seja a jornada. E quando se chega demasiado tarde?


PedRodrigues

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