sexta-feira, 4 de março de 2011

Reflexões a quente

Opá vão-se foder! Estou farto de chorar. De correr para as escadas. A procura da felicidade é utopia. Onde estás? Não te quero encontrar. Não mereço ninguém. Não mereço prendas nem presentes, nem ausentes. Ela não me ama. Eu nunca amei. A partilha é a mesma. Estou farto de distâncias de segurança. De lágrimas de ouro, ou de prata. A vida nunca me deu nada daquilo que sonhei. Em vinte e quatro anos nunca fui verdadeiramente feliz. Nasci com dores no peito e orgulho em dose e meia. Apetece-me correr sozinho para o sítio onde fui feliz desde que a minha avó morreu. O meu amor vale ouro, mas nas mãos delas é lata. Mulheres: o mundo gira à volta delas. Se pelo menos me dessem uma pistola para o fazer parar. Detesto este cheiro a vinho que trago na boca. Detesto esta falta de beijos que trago na boca. Esta noite sonhei que não sabia beijar. Onde estão elas que me querem como sou? Apetece-me sair daqui. Tirar fotos das escadas para mais tarde recordar. Apetece-me chorar. Vacilo em todos os momentos que as quero. Sofro em todos os momentos que não as tenho. Corre! Ao voltar da esquina ouço-a a dizer:
"Espera!"
Não me mandes esperar, se não me queres. Não chores por mim se o teu coração não me pertence. Não me dês as gotas da vida, se me queres ver morto. Deixem-me ser quem sou. O cancro que sou. Que vos cresce no peito e que querem remover. Sempre fui assim. Cresço no interior de quem me conhece. Mas no final todos me querem fora do corpo. Nunca hei-de ser feliz. Sou de ferro. As balas não me matam.
"Magoam!"
Obrigado pelas dores. Obrigado por vos defender. Sempre! Sou triste, só e mal acompanhado. A minha vida não me sorri. Apetece-me fugir e estar sozinho.Escrever para o mundo sobre o que trago cá dentro. A dor, o fado, a morte e algo mais que não sei dizer o quê. Hei-de ser eucalipto na vida das pessoas. Secando-lhes a percepção da realidade. A minha vida é nula e sem graça. Não me queiram: nem hoje, nem ontem, nem depois. Obrigado mãe. Há vinte e quatro anos fiz-te feliz. Hoje ainda faço. Obrigado a ti que me amas. Ninguém te quer ocupar o lugar. Tragam-me a pistola, a faca, ou as palavras. Matem-me de alguma maneira. Hoje eu choro por mim. De resto? Obrigado, mas vocês são uns merdas! Nunca hei-de amar ninguém, hoje entendi isso. Hoje entendi que não me posso dar sem me quererem como sou: pleno e cheio de falhas. O amor é a melhor droga, mas eu fico-me pelo genérico.



PedRodrigues

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