domingo, 6 de novembro de 2011

O que elas sabem sobre nós

Sabem que olhamos para as curvas dos corpos delas nos vestidos e imaginamos o que estará por baixo. Que as vamos descascando: camada a camada. Sonhando com a cor da lingerie que trazem no corpo. Se é vermelha, ou preta. Perdemos minutos a imaginar como será que o corpo se aguenta em toda aquela camisa de forças. Será que as ancas não gritam? Será que os seios não esperneiam? Assumimos que sim. Elas sabem disso. Quando as deixamos passar à nossa frente, ou lhes damos um jeitinho no meio da multidão, elas sabem que somos cavalheiros da nossa causa, à nossa maneira. Só lhes queremos sentir o perfume, ou procurar um eventual toque no corpo. Um motivo para meter conversa, ou para as apreciar noutros ângulos. Elas sabem disso. Sabem que conquistamos as amigas para as conquistar. Ninguém vence batalhas sozinho. Elas sabem disso.  Elas sabem quem são os bons e quem são os maus. (Acreditem!) Apenas optam por escolher os maus mais vezes. Só se acerta uma vez na vida. E elas gostam de gastar as fichas todas de uma vez. Sabem quando temos alguém. Desconfiam. Desdobram-se em mil. Procuram respostas. Fazem inquéritos. Até que no fim, quando têm a certeza, nos martirizam. Elas sabem quando nos têm na mão. Fazem-se de despercebidas. Fazem-nos julgar invencíveis, os reis do mundo, os sultões dos bares. No entanto, elas sabem e deixam-nos passar por parvos. Elas sabem quando olhamos para outra, enquanto estamos na esplanada a beber café. Apanham-nos no nosso jeito atabalhoado de disfarçar. No auge do excesso de testosterona que nos torna em seres desajeitados. Sabem que fantasiamos com a vizinha, e imaginam que nós a imaginamos connosco no banho, na mesa da cozinha, ou no elevador. Elas sabem, e fazem-nos sofrer por isso: uma dor de cabeça aqui, um dia cansativo ali… Ou então, obrigam-nos a suar a vizinha para fora do nosso corpo. Obrigam-nos a entender o que temos em casa - que vale mais que a vizinha, que a rapariga do café ou que a colega de trabalho. Elas sabem como nos manipular. Sim, elas sabem. Elas sabem como nos domesticar. Mas também sabem como nos mimar. Sabem quando amuamos. Quando estamos a chocar uma gripe. Ou quando só tivemos mais um dia mau. Sabem quando desesperamos por um beijo. Quando procuramos um pouco de afecto. Elas sabem lidar com os nossos amigos. Sabem como os conquistar. Sabem qual é que era bom para aquela amiga que só tem olho para trastes. Sabem fazer-nos felizes. Sabem como nos deixar à beira de um ataque de nervos. Sabem que botões apertar para despertar um ataque de ciúmes. Sabem como nos obrigar a fazerem-se sentir desejadas. Elas sabem tudo. Sabem até que eu não fiz por mal quando comecei o texto a imaginar as curvas de cada uma delas a desfilarem em lingerie, no meu quarto, ou em qualquer outro lugar. O que elas não sabem é que nós fazemos tudo para acertar. E damos tudo para nunca errar (embora errar seja humano).

PedRodrigues

14 comentários:

  1. Ou se calhar...sabemos! ;)

    http://falsosabsurdos.blogspot.com

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  2. Hum, elas tb sabem que não é normal um "gajo bom" escrever "tão bem". E elas tb sabem que parte do que escreves-te elas nem sempre o fazem.

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  3. Um dia, por acaso, numa das redes sociais da moda, uma "amiga" partilhou um texto de um blog. Achei curioso o nome, e desde logo pensei , "humm deve ser um blogue de estudantes universitários". Certo é que comecei a ler e foi me difícil parar. dei por mim numa descoberta de textos tocantes, espalhados de sentimentos com os quais todos nos identificamos.Mesmo até os mais fortes e anti-sentimentais dos humanos. Acredito que muitos homens não tenham esta sensibilidade de colocar o que sentem por uma mulher, ou a maneira como vêem uma mulher, em palavras tão doces e verdadeiras mas ao mesmo tempo sedutoras e repletas de um mistério que nos faz querer saber mais sobre o autor.
    Obrigada pela boa partilha !
    Parabéns! :)

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  4. Tudo o que escreveste é o que todos os homens pensam mas não têm capacidade de expor em palavras porque é-lhes mais fácil dizer que nós não sabemos nada de nada e que só eles têm razão. E sabes, nem todas são manipuladoras, há aquelas que tentam não ser assim e dão oportunidades de eles serem eles próprios. E se nós cuidamos a gripe deles é porque temos um lado maternal e porque eles ficam como umas criancinhas mas nós temos muito gosto em cuidar. Finalmente só escolhemos os maus porque depois quando encontramos um bom é o melhor deste mundo e os maus é que se mostram maus, eles designam-se a eles próprios.
    Apesar de tudo, adorei o texto.

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  5. "Elas sabem quem são os bons e quem são os maus. (Acreditem!) Apenas optam por escolher os maus mais vezes." <3

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  6. Adorei, adorei muito :) Nós sabemos, mesmo! ahah

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  7. O único comentário que tenho a fazer é ainda bem que vocês sabem, que nós sabemos ;) Boa análise, parabéns. Angela

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  8. Escreves de uma maneira simplesmente perfeita. Obrigada pelas horas que "perdi" (porque "o tempo que gostas de perder não é tempo perdido") a ler e reler todas as tuas ideias brilhantes. Acredito que sejas um grande Homem. Parabéns!

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  9. Estou confusa.
    Por um lado, o texto até pode espelhar uma realidade que nem todos os homens conseguem assumir.
    Por outro, estás a confirmar o machismo atribuído à maior parte dos homens deste país. Com tanto que há para dizer sobre mulheres, um ser com tanto por explorar e tu focaste o texto quase exclusivamente na sua sexualidade? Noutro dos teus textos dizes que cada mulher é diferente e que tem as suas particularidades (algo neste sentido), dando a entender que cada uma deve ser percebida como única, mas aqui encaixas todas as mulheres na mesma categoria - a mulher enquanto complemento do homem... sedutora (do homem), amante (do homem), cuidadora (do homem).
    A ideia do texto é assumires-te machista sem que isso faça de ti um pior homem?
    Acredito que seja apenas uma amostra do que te vai na cabeça, só acho que se vais fazer um texto sobre a Mulher, deves dedicar-te e explorar todo o seu valor, todas as suas facetas. Ficou muito por dizer.

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  10. Bravo Pedro. Também um dia escrevi assim. Não prosa, mas poesia. O auxilío dos fracos dirás. É verdade. Cada qual com o seu escape. Mas houve um dia em que tudo mudou. Em que deixei de beber e escrever. E tudo quanto era sentimento pensado, passou a sentimento sentido. Vou-te poupar a agonia da descoberta, embora isso também tenha o seu prazer : termina o blog, e termina-o já e vai lá para fora viver, como eu fui, mas não sejas eu. Sê tu mesmo. Arrisca. Respira . Descobre o prazer do impulso e respira a incerteza da resposta. Há uma vida para ser vivida e outra para ser sonhada, e entre uma e outra vamos muitas vezes vivendo a errada.

    CapuchinhoVermelho

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