sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Repete comigo

Não escrevo o teu nome na areia
O mar pode apagá-lo
Não o pinto nas paredes da cidade
Todos o poderão ler.
Escrevo-o numa folha de papel, junto ao meu.
Desenho um coração à volta. Ficamos presos nesse coração.
 
Guardo-te comigo.
Guardo-nos.
Guardo as nossas imperfeições
Guardo as nossas discussões
Guardo os dias menos bons
Guardo tudo.
Não te largo
Não te deixo
Não te esqueço.
Somos tempestades
Abanamos, remexemos, destruímos.
Acalmamo-nos, abraçamo-nos, reconstruímo-nos.
 
Começamos do zero
Até chegarmos ao infinito
Demoramos na viagem
Nada disso me preocupa
Nada disso te parece preocupar
Tens a certeza que caminharemos juntos
(Também eu tenho essa certeza)
É isso que realmente importa
És tu que me importas
Sou eu que te importo a ti
Seguiremos juntos
Juntos, unidos, ligados.
Subiremos à montanha
Não com a certeza de chegar ao seu topo
Mas com a certeza de, onde quer que cheguemos,
Chegarmos juntos.
 
Somos a primeira pessoa do plural
É essa a verdade
Que vale a pena ser repetida
Repete comigo.
Repete-te comigo.
 
 
PedRodrigues

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ao primo Tó Moinhos

Dizem que quando morremos deixamos de ser homens e passamos a ser estrelas no céu a olhar pelos outros. Nunca acreditei muito nisso porque as estrelas no céu brilham lá ao longe e não se parecem preocupar com a nossa pequenez. Tu não eras assim. Brilhavas na terra, como as estrelas no céu, mas, ao contrário delas, preocupavas-te com todos à tua volta. Eras dono e senhor de uma alegria contagiante que se multiplicava em todos nós. Sempre que te recordo, acabo por sorrir. É impossível não o fazer. Depois vem o vazio, o choque com a realidade. Hoje não estás. Hoje não me vais dizer que o meu avô tem a mão pesada para o sal, ou que a minha mãe é uma encrenca. Hoje não me vais abraçar com força contra ti. Tenho saudades. A morte tem a tendência sádica de nos separar. Mas enquanto um de nós viver, nenhum de nós será esquecido. Tu continuarás a viver em cada um de nós: em cada memória, em cada lágrima, em cada sorriso. O amor que nos deixaste continuará a crescer e a ser passado de geração em geração. As tuas histórias continuarão a ser contadas. A alegria contagiante do teu sorriso continuará a ser maior que as lágrimas choradas. Não te esqueceremos. Nunca te esqueceremos. Um abraço apertado de quem te ama, Encrenca.


PedRodrigues

(Crónica publicada no jornal "Portuguese Times")

domingo, 3 de novembro de 2013

Canção de algum Amor

Para mal dos meus pecados
És um pecado de mulher
Uma metade feita de loucura
Outra metade de prazer
Nos teus olhos cor de mel
Consigo ver um carrossel
De sensações e desejos
Devaneios e beijos
Ou outra coisa qualquer

Não me deixes à beira do abismo
Que eu juro que não finjo
Quando estou perto de te amar
Não me olhes com desdém
Que o amor quando vem
Acaba sempre por me atropelar

Para mal da minha vida
Acabas sempre aqui despida
A pedir-me por favor:
“Dá-me só um beijinho
Um abraço ou um carinho
Ou um pouco de amor”
Mas se há coisa que não tenho
É vontade ou engenho
Para te meter a andar
E neste tango desmedido
Acabo deitado e vencido
Implorando não te amar

Não me deixes à beira do abismo
Que eu juro que não finjo
Quando estou perto de te amar
Não me olhes com desdém
Que o amor quando vem
Acaba sempre por me atropelar

No final da brincadeira
O coração faz asneira
Não temos como nos safar
Acabamos despidos
Talvez um pouco perdidos
Cheios de razões para suspirar…

PedRodrigues