sábado, 26 de abril de 2014

Deste lado da barricada

Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te ver. Aqui, deste lado da barricada, eu amo-te sem te tocar. Vou-te amando porque preciso. Vou-te amando porque quero. Vou-te amando porque faz sentido. Sinto-te dispersa pelo ar. Sinto-te a dares-me vida. És tudo o que acontece à minha volta. És a certeza de um metro quadrado de paz neste caos que me rodeia. És o sorriso que me escapa nos dias cinzentos que se multiplicam. Deste lado da barricada espero-te a todas as horas. Deste lado da barricada tento arranjar forças para largar tudo e fugir até ti. Deste lado da barricada só faltas tu. Nestes dias cinzentos, neste mundo triste que me rodeia, nesta falta de amor que se mistura no ar, tu és o sorriso que me faz querer continuar. És tu. És sempre tu. Amo-te sem te ver. Amo-te sem te tocar. Estás tão longe deste lado da barricada. Mas nem a distância é grande o suficiente para me fazer desistir. Podia acabar o mundo, ou a certeza do mundo, e eu continuaria a amar-te. Já és o sangue que corre nas minhas veias. Já és a arritmia que fustiga o meu coração. Já és o ar que respiro e as cólicas de nervosismo. És o sentido do amor. És o caminho do amor. És as palavras que deixo no papel. Neste sítio tão estranho, neste sítio tão impuro, és o motivo que me faz continuar. Já és, deste lado da barricada, a vontade de lutar para ser feliz.


PedRodrigues

(Colaboração com o rapper Durval, que podem ouvir aqui )

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Poema sobre a inevitabilidade do tempo


Devagar o tempo muda.
O vento muda.
As vontades mudam.

 
Devagar um momento de dor torna-se numa recordação penosa.
Uma recordação penosa torna-se numa conversa de café com uma nova paixão.
Uma nova paixão torna-se num novo amor.
Devagar esse amor vai crescendo
Eu vou crescendo e tu vais crescendo comigo. Amamo-nos.
Agora somos amor, amanhã talvez continuemos a ser amor
Vamos vivendo devagar, seguindo os caprichos do tempo
Seguindo a ordem dinâmica das coisas
Cada um no seu referencial
Hoje amamo-nos
Amanhã voltaremos a amar-nos – espero.

 
Devagar somos fotografias na estante
Os miúdos brincam pela casa
Olham-nos como se nunca tivéssemos sido crianças
(Mas fomos, lembras-te?)
Devagar o tempo também passará por eles
Devagar os miúdos deixarão de ser miúdos e também eles terão miúdos

 
Devagar seremos recordações
Apenas recordações
E eu pergunto-me:
Como é que o tempo passou por nós tão depressa?
Ainda ontem estávamos no café
Ainda ontem te beijava pela primeira vez
(Perdi a conta aos beijos que te dei ao longo do tempo)
Hoje partilhamos as rugas e os cabelos brancos
Partilhamos o nosso amor
Hoje, depois de tanto tempo, continuo a amar-te

 

 

PedRodrigues