domingo, 25 de janeiro de 2015

Avançar

Às vezes é preciso partir
Deixar para trás o que não faz falta
Deixar de lado o que nos faz mal
Partir
Com a certeza de um metro quadrado algures
Ir em busca do desconhecido
Não esquecer de onde viemos
Mas enterrar as mágoas e os desgostos
Lágrimas, dores, prantos, desgraças
Ansiar com o sítio para onde vamos
Ansiar com novas pessoas, novos amores
Custa seguir em frente,
E, no entanto, é tão necessário
Diz-se que águas paradas não movem moinhos
Um coração preso ao passado
Não tem como voltar a amar
 
Avança.
 
PedRodrigues

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Breve reflexão sobre a sociedade


Dou por mim a olhar, cada vez mais desconfiado, para o mundo que me rodeia. As pessoas parecem mais preocupadas em serem os outros, – sejam eles quem forem – que em serem elas mesmas. Estão mais preocupadas em viver as vidas dos outros, – sejam elas o que forem – que em viver a sua própria vida. Assusta-me de morte a forma como arranjam tempo para o fazer. A minha vida ocupa-me a tempo inteiro.

 

PedRodrigues

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Astronautas


Então olhou para cima e sonhou apaixonar-se por um astronauta.
Alguém que pudesse escrever o seu nome na lua.
Dizem que as palavras escritas na superfície da lua permanecem intactas: não há vento, nem tempo, que as apague.
Talvez fosse esse o seu verdadeiro objectivo: amar alguém que gravasse o seu nome em algum lugar só seu – onde mais ninguém fosse. Longe.
Alguém que gravasse o seu nome, e nem o tempo, ou o vento, o conseguissem apagar.

 

PedRodrigues

sábado, 3 de janeiro de 2015

Casas


Somos casas. Quem está de fora, não sabe o que se passa dentro das nossas paredes. Às vezes, há quem entre e veja todas as fissuras e imperfeições. Então há os que fogem a sete pés, com medo que o tecto caia. E os que ficam: na esperança de um dia morarem em nós.

 

PedRodrigues

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Àquela que se apaixonar por mim...


Boa sorte. Não me tentes procurar em mapas antigos; a maior parte das estradas do meu coração são novas. Sei que não será fácil amar alguém como eu. Não sempre. Não todos os dias. Haverá dias em que não será fácil. Nada fácil. Dias em que me fecharei em copas, com todos os meus problemas – não te vou querer preocupar ou chatear com eles. Sei que quem ama partilha, mas quem ama também protege. É isso que quero: proteger-te. Não me censures. Perdoa todos os meus casos com as palavras, com os livros, com as madrugadas de insónias e as cores das manhãs. Perdoa os textos que te causarão algum embaraço. Alguma exposição indesejada. Só quero usar as palavras para explicar o que trago por dentro. O quanto te poderei amar. Haverá outros dias em que te deixarei desarmada com os gestos mais banais. Os que, ao mundo, parecem absurdos. Deixar-te-ei, por vezes, sem palavras. Mas isso é bom. Em todas elas o silêncio será um aliado, um bem necessário. Não te preocupes se me perder a olhar-te. A tentar decifrar cada traço. Quero guardar-te em mim. Procurar a certeza dessa vertigem que será amar-te. A ti que um dia farás parte desta jornada, peço que não ignores os meus defeitos. Mas que os ames. Como o mar ama as estrelas que nele se reflectem, sem nunca lhes tocar.
 
PedRodrigues