sábado, 27 de junho de 2015

[Sem título]

Não peço a ninguém para entrar;
não obrigo ninguém a ficar;
não gosto que se demore,
quem deseja sair.

PedRodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Lição de combate número dois


Tentei aprender contigo o canto das sereias. Diziam ser um perigo. Uma mulher que nos encanta, é uma mulher que nos mata. E essa morte é lenta, quase como um sono manso que se apodera de nós sem darmos conta. Quando nos apercebemos já estamos demasiado presos. As nossas horas começam a medir-se numa escala diferente daquela que nos ensinaram: não há tempo: horas, minutos, segundos. Tudo se passa a medir em silêncios, fôlegos, vontades, conversas, cheiros. Tudo se passa a medir em ti. Tudo é feito de ti. Não só o como, ou o porquê, também o quando: “quando ela me olhou”; “quando ela me beijou”; “quando ela me tocou”. Agora os instantes são feitos do teu canto, ou do teu silêncio. E realmente não sei o que será mais perigoso: se a forma como me embalas quando me falas; se a forma como sinto a tua falta quando nada dizes. É um perigo permitirmos que alguém controle a nossa vida. Mas eu rio-me face ao perigo.

 
PedRodrigues

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Ironia

[Notas perdidas no telemóvel]

Nem sempre amamos quem nos faz bem.

Por vezes,
trazemos a pessoa errada
no peito;
e a certa na palma
da mão.

PedRodrigues

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Arquitectura


Gostava que o amor,
hoje em dia, fosse como
algumas obras arquitectónicas.
Já que nada é para sempre,
que dure, pelo menos, cinquenta
ou cem anos.

 

PedRodrigues