sábado, 20 de fevereiro de 2016

No metro


Na linha verde do metro
ao final do dia,
todos entram na
carruagem a correr
com medo de chegar
atrasados aos seus destinos
Os miúdos pintam
os rostos dos velhos
com asneiras e outras 
conversas com cheiro
a charros e cerveja barata
Todos estão presos
às suas vidas
às suas rotinas
Passam os cegos
a pedir esmola
e ninguém os parece ver
Não sei distinguir
quem viverá mais às escuras.

 

 
PedRodrigues

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dia 13, também é Dia dos Namorados


Meu amor,

Meu céu estrelado de Julho. Minha manhã líquida, e outras texturas, de Março. Certeza serena nesse mar imenso de dúvidas. Dúvida permanente na batalha das certezas rotineiras. Meu filme de Inverno, entre mantas e bebidas quentes. Minha dança alegre em noites entornadas até o sol nascer no horizonte dos nossos olhos. Minha praia: onde as ondas do meu mar teimam em voltar. Meu regresso. Minha viagem. Senhora com quem partilho as minhas palavras, os meus amuos, as minhas tristezas, as minhas questões mais banais. Meu mapa. Meu ponto cardeal. Minha bússola. Minha estrela polar. Meu norte. Meu ponto de encontro. Minha perdição. Sei lá, meu amor, se não serás tudo mais. Meus dias. Minhas noites. Anos, semanas, horas, minutos, segundos. Não sei, meu amor, mas tenho a certeza: se em tudo o resto te escondes, o que sobra do mundo para não amar? Meu ciclo vicioso. Início, meio e fim. Meu ponto final, meu amor. Meu ponto final.
Teu,
Pedro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

As consequências das passadeiras


Os poetas diziam do amor
ser a resposta
mas eu calava-me e olhava em volta
enquanto, apressadas, as pessoas decidiam
avançar, mecânicas, seguindo as luzes
e atravessando as estradas nas passadeiras,
em segurança. Eu perguntava-me
se o amor era a resposta, como
andavam todos tão presos à rotina, ao medo
de dar outros passos? Onde estava a coragem
de atravessar a estrada a correr durante um sinal vermelho?
Talvez a vida precise de um certo risco,
de uma certa incerteza.

 

Talvez o amor seja, mesmo, a resposta
(pensava eu, até ser atropelado)

 

PedRodrigues

sábado, 6 de fevereiro de 2016

E tu soltavas impropérios
como que amaldiçoando
o tempo perdido
a tentar colar
os cacos
dos amores partidos

PedRodrigues

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Fevereiro

Dizias-me - Para sempre
e eu respondia-te
que a eternidade é
um tempo muito vago
Tinhas medo do depois,
da incerteza das estações
Eu também nunca entendi
o porquê das chuvas
nos meados do Verão
Sussurravas-me ao ouvido:
-Talvez o céu chore
com saudades do chão
Enquanto eu olhava desconfiado
procurando a real razão
E tentava explicar-te
As leis da gravidade
usando-nos como exemplo
num cálculo mais exacto
Tu olhavas para mim
Como que decorando a minha imagem
E eu escrevia-te na minha pele
como se fosses uma tatuagem

PedRodrigues