terça-feira, 29 de março de 2011

Coragem: o caminho para a felicidade

Não é fácil.
Nunca foi fácil vencer o tédio que me acompanha os ossos. Nunca foi fácil amar - se pelo menos eu soubesse o que isso é. Sorte com Deus a cada passo. Que o tédio não me vença na escolha do melhor caminho - seja ele qual for. Encontro-me a dois passos do cruzamento, a dez minutos do fim do mundo. A sul do Paraíso já provei o fruto proibido. Se eu fosse o melhor que posso ser em todos os momentos. Não é fácil. Nunca foi fácil escolher. O sol põe-se atrás do cruzamento. A luz gasta-se com os minutos. Nunca fui fã de escolher às escuras. Devia apressar a escolha, mas o tédio que me acompanha os ossos comprime-me a carne; trava-me os pés e não me deixa seguir o que a minha vontade parece não querer saber: a escolha.
Eventualmente na vida todos temos de escolher. A vida é isto mesmo: uma série de cruzamentos ao pôr do sol, a dez minutos do fim do mundo. Por vezes fechamos os olhos e entregamo-nos ao acaso. Não é fácil. Mas nunca ninguém nos disse que a vida era um mar de rosas. Não era uma vez quando queremos - se é que alguma vez o é. O sol não brilha sempre, e bons são aqueles que enfrentam os dias de chuva sem recorrer aos impermeáveis. Os que seguem o caminho e não olham para trás. Convenhamos: o difícil nunca foi escolher. Difícil é saber abraçar as escolhas que fazemos. Lidar com a roupa molhada no corpo, mesmo que isso signifique que eventualmente vamos ficar doentes. Não é fácil. Nunca foi. Mas a chuva não cai para sempre, e no final dos pingos o sol parece brilhar. Às vezes o arco íris espreita por entre os pingos desdenhosos que beijam a luz do sol. No final do arco íris há um pote de ouro - dizem. A vida é esta série de cruzamentos. É uma sucessão de chuva e de sol. De dias de tédio e dias frenéticos. Não é fácil viver. Nunca foi. Não é fácil amar. Dizem por aí. Não é fácil escolher. Mas é. Não é fácil abraçar a escolha. Nunca foi. Dos fracos não reza a história. Verdade.






PedRodrigues

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um brinde às mulheres

Chegou a Primavera. Chegaram os primeiros dias de calor. Com eles vieram as primeiras aparições dos decotes à luz do sol. Como ficam belos os seios banhados pela luz da estrela mãe. Adoro sentar-me na esplanada de copo na mão. A cerveja fresca arrefece-me o corpo e acalma-me as hormonas - ainda que por breves instantes. Elas desfilam pela calçada. As mais belas criaturas que Deus criou. Como adoro aquelas pernas: macias, tentadoras, problemáticas... Como adoro as mulheres. A elegância de cada gesto e a inocência - ou falta dela - em cada palavra. A tentação veio ao mundo com duas pernas, dois seios e um aglomerado de problemas no seu interior - algo que torna a indiferença impossível. Adoro os cabelos delas a esvoaçar ao sabor do vento, e a forma como reagem quando isso acontece: quando acham que perderam o encanto por terem um fio de cabelo fora do lugar. Como ficam belas quando são apanhadas de surpresa. Adoro os lábios pintados com batom. Adoro a variedade de cores e de brilhos. Adoro não saber se trazem na boca o Chanel, o Maybelline, ou outra coisa qualquer. Adoro quando me beijam e me deixam a marca na cara para mais tarde recordar - e tenho pena quando essa marca desaparece. Mulheres, vocês são belas. Adoro os vossos olhares predadores. O desprezo quando nos aproximamos. Convenhamos que vocês têm o poder, e sabem. Mas o tango dança-se a dois. A idade não vos assenta mal, por vezes até vos dá outra classe, outro encanto. As rugas na cara não são sinal de velhice, são sinal de experiência. É um prazer descobrir as histórias que têm para contar. Obrigado mulheres. Obrigado pelos sonhos eróticos que tinha, que tenho e que hei-de continuar a ter. Obrigado por me deixarem descobrir um pouco de vocês. Obrigado pelos seios - adoro os seios. Desculpem. Obrigado pelos sorrisos: de felicidade, de surpresa, de escárnio, de piedade, de prazer... Obrigado pelo desfile de pernas. Obrigado pelos cabelos ao vento. Obrigado pelos olhares - e pelos óculos de sol que escondem esses olhares e nos deixam ainda mais excitados. Obrigado por nos ensinarem que o caminho da felicidade não tem só uma porta de saída, mas também uma de entrada. Vocês são lindas. Obrigado!



PedRodrigues

domingo, 20 de março de 2011

Crónica com um final feliz

Sentado no peitoril da janela sentia a faca do ciúme apontada na minha direcção. No olhar dela morava a tristeza; a raiva era sua vizinha. Eu, por outro lado, encontrava-me perdido no corpo de outra mulher. Trocava sorrisos. Trocava carícias. E ela ali... Abandonada. Desculpa se tenho tanto amor para dar. Desculpa se ando de mãos dadas com a bigamia.

"Vou-me embora. Dói-me a cabeça" disse ela

Das curvas do corpo alheio o discernimento deu sinais de vida. Guardei os sorrisos e as carícias no bolso. Dei o beijo de despedida. Ela fugia pela calçada, mas eu sempre fui adepto de uma boa perseguição. Os cabelos lisos dela escapavam-me entre os dedos. O cheiro dela perdia-se no ar. Não me fujas, que eu não penso largar-te - largava primeiro a bigamia.

Eu

"Espera... Onde vais?"

Ela olhou para trás. Vi-lhe o decote. Perdi alguns segundos a imaginar onde levaria aquele declive vertiginoso. Qual camaleão, de olhos trocados, um para cada lado, reparei também na safadez do sorriso dela. Sabia que estava em vantagem. Pisou o ciúme. Pisou a minha virilidade. Naquele momento ela soube que eu estava nas mãos dela - não só nas mãos, nos seios, nas nádegas, na língua... Parou. Esbarrei contra o corpo dela. Tracei os meus braços pela cintura dela. Ela correspondeu. Traçou-me a nuca. E ali estávamos: entrelaçados um no outro. Olhei-lhe nos olhos. Ela nunca resistiu aos meus olhares. Eu nunca lhe resisti a ela. Do pico do calor da ligação simbiótica de nossos corpos nasceu um beijo.

"Vamos sair daqui..."

Ela seguiu-me como se eu fosse o timoneiro da felicidade. Eu tentei levá-la a bom porto - embora nos tenhamos perdido um par de vezes nos becos da cidade.
Parámos na praia algures entre as dunas. No céu a lua brilhava e iluminava os nossos corpos duma forma romântica - a fazer lembrar uma cena de um filme em que no final o rapaz fica com a rapariga. Os beijos perdiam-se no grãos de areia. Os grãos de areia perdiam-se nos nossos corpos. Despidos de pudor e de incertezas entregámo-nos um ao outro. Em plena harmonia com o mar, a areia, as estrelas e a lua os nossos corpos transpiravam o suor da lúxuria e os nossos corações bombeavam rios de amor. Gememos em sintonia

"Adoro-te"


PedRodrigues