Há
três dias que não durmo. Há três dias que me perco a imaginar o que estará
errado. Jurámos amor um ao outro. Amámo-nos durante onze meses. Lutei por ti
como nunca lutei por ninguém. Nunca desisti de nós porque sempre nos vi
emoldurados a sorrir um para o outro como se o mundo tivesse sido feito à nossa
imagem. Escrevi-te durante meses e em todos os meus textos conseguia sentir-te
a palpitar nas palavras. Nunca me deste crédito por nenhum deles, mas isso
pouco importava. Sabia que me amavas e sabia que te amava e o resto era só o
resto e não me aquecia nem arrefecia. Aprendi a lidar com a tua meninez e a
compensar todos os teus caprichos com a minha maturidade. Nunca me interessou a
tua falta de vontade pelos grandes gestos românticos. Sempre consegui retirar
aquilo que precisava nas pequenas demonstrações de afeto que por vezes deixavas
escapar. Amava-te e ainda te amo e não deixarei de amar. Os teus papéis
continuarão colados na parede. As minhas camisolas continuarão a fazer parte do
teu guarda-roupa. Não nos deixarei morrer, mas não cabe apenas a mim manter-nos
vivos. Não sei onde errei, nem onde te falhei, mas se o fiz só te posso pedir
desculpa. A vida segue em frente e nós seguimos com ela. Um dia vivemos um sem
o outro e hoje teremos de o voltar a fazer. Custar-me-á o mundo não acordar com
os teus telefonemas, ou adormecer sem te ter ao meu lado, mas terei de aprender
a lidar com isso. Mais uma vez te digo que não sei o que se passou para me
dizeres
-As
coisas arrefecem
Ou
-Não
sei se ainda gosto de ti como gostava
Não
sei quem entrou na tua vida. Não sei se alguém entrou na tua vida. Mas às vezes
perco-me de razões a imaginar se não terei sido eu a abrir-lhe a porta. Sempre
achei que a distância não era grande o suficiente para nos separar. Habituei-me
a lidar com a relação dos meus pais como se fosse minha. Tornou-se no meu
mantra e no meio de todo esse processo acabei por negligenciar a tua falta de
conhecimento das relações em interruptor. Não és como a minha mãe, não és a
minha mãe e eu não sou o meu pai. Talvez tenha errado nas assunções, mas não o
fiz por mal. Acabei por me sentar à margem a ver a nossa relação ruir. Por
isso mesmo te peço desculpa.
Espero
que não te esqueças de nós, assim como eu não esquecerei que um dia disse pela
primeira vez
-Amo-te
Com
todas as letras a que a palavra tem direito. Acredita que não o disse ao acaso,
ou sem razão aparente. Disse-o do coração e de coração na boca ainda hoje o
digo – se for preciso. Nunca me esquecerei da saia grená que usavas nesse dia,
das botas de salto alto com pêlo, da tua camisa branca. Lembro-me do beijo,
lembro-me das tuas palavras
-Gostas
de mim de A até E?
E
que poderia eu dizer a não ser
-Amo-te
E
esperar pelo teu
-Amo-te
muito
Como
queres que me sinta hoje a não ser desfeito? Como queres que me sinta depois
de me dizeres
-Já
não sei se gosto como gostava
Custa-me
o mundo. Acredita que me custa o mundo. Custa-me ainda mais porque nunca
entendi – e tu sabes – essa coisa do amor crescente em função do tempo. Para
mim o amor é apenas amor e será sempre amor: não cresce, nem decresce. Assim
sendo, não sei o que nos aconteceu. Juro que não sei. Apenas continuo a crer
naquilo que sei: as relações são feitas de amor. As relações são feitas para
aqueles que acreditam. As relações não são feitas para aqueles que desistem.
Agradeço-te por tudo, mas não te perdoo por um dia teres desistido de nós.
PedRodrigues