Somos filhos daqueles que se apaixonaram nas margens deste rio. Que são filhos daqueles que sobreviveram às custas deste rio. Somos filhos do sangue, suor e lágrimas que as águas deste rio lavam.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Nem tu me podes fazer todas as perguntas, nem eu te saberei dar todas as respostas
Não tinha aonde chegar,
até me aperceber que tinha de partir.
Partir, como o verbo de ir embora,
O chão por vezes também desaba.
Já te despenhaste do alto do amor?
Já te estilhaçaste em bocados insignificantes que demoram décadas até voltarem ao sítio? Nunca parecemos novamente inteiros, pois não? Parecemos (sempre) inevitavelmente quebrados.
Depois do amor
o silêncio demora as horas no relógio do telemóvel.
Será que o coração também se cansa de esperar?
Não há lugar que não seja este lugar?
Não há um botão para retroceder até onde fui feliz?
Devemos carregar às costas quem de nós desiste?
Quem de nós só queria um minuto?
Tudo o que é novidade, é-o por pouco tempo.
Já aprendeste a contar até mais tarde?
Nunca acreditei em prazos de validade no que
toca ao amor. Desconfio de quem conta as horas
pelos dedos das mãos.
PedRodrigues
domingo, 3 de setembro de 2017
Ela
Ela quis da vida todos os dias de sol. Quis na pele o moreno do verão. Quis o cheiro das ondas no cabelo, a areia a passear pelo corpo. Mas o tempo tudo muda. E os dias do calendário começaram a cair, como as primeiras folhas castanhas do outono que chegava. Ainda ela guardava a luz toda por dentro, quando Setembro chegou com as suas chuvas mansas. E todos na rua choravam a mudança, mas ela não. Quando guardamos o sol por dentro, nunca deixará de ser verão.
PedRodrigues
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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