terça-feira, 30 de novembro de 2010

Poema número vinte e quatro


Cemitério de Beijos



Um cemitério de beijos
Onde enterro desejos
E tudo aquilo que passei…
Onde mato saudades,
Onde ouço verdades
Das pessoas que amei.
É aqui que reflicto,
Se o Amor é um mito
Ou pura ficção…
É aqui que acredito
Que aquilo que sinto:
Não é Amor, mas Paixão
É onde penso nos lábios dela
No seu corpo de donzela
E no toque de sua mão.
Neste cemitério de beijos
Onde realizo desejos
Sonho para ela regressar…
Sonho que um dia
Tudo isto foi fantasia
E ela nunca deixou de me amar!



PedRodrigues

Reflexões a quente




Lembrei-me deste título há já algum tempo. Estava eu a pensar cá para comigo: as maiores putas não são as que nos levam dinheiro em troca de sexo... As grandes putas deste mundo, são aquelas que nos roubam o coração em troca de nada. Para mim, momentos fugazes de felicidade, são o mesmo que nada. Assim como o sexo se resume a segundos de prazer, que nós pintamos num quadro bem bonito, como largos períodos de paixão. Não nos deixemos enganar.
Não é vergonha amar uma puta. A sociedade evoluiu assim... E nós somos cordeiros a seguir o pastor. O nosso primeiro instinto, como Homens que somos, é reparar no aspecto físico das pessoas. Se nos agradar, seguimos em frente. Vamos à luta. Se, pelo contrário, a pessoa não for do nosso agrado: viramos a cara e procuramos outro alvo. Não há vergonha nenhuma nisto. Eu não tenho medo de o admitir. Nem tenho vergonha dos meus instintos... E também não sou hipócrita o suficiente para dizer que o que conta é o interior. O primeiro sentido que usamos é sempre a visão e o primeiro sentimento de qualquer relação é a atracção física. Se eu não conheço a pessoa, o que me leva a falar com ela, não são os bons sentimentos dela – que eu não sei se os tem ou não – são os atributos físicos: ela agrada-me vou falar com ela. Quero com isto dizer que o primeiro amor é sempre físico. Não quero dizer que o amor, na verdadeira ascensão da palavra, se limita a algo físico... o verdadeiro amor, precisa de algo mais que uma cara. Precisa de palavras, gestos, atitudes, enfim... Mas, corremos sempre o risco de vir a amar uma puta. Uma noite bem passada, uns cafés, umas conversas depois e corremos esse risco. O confundir o carnal com o espiritual já não vem de agora. Todos nós gostamos de repetir o que é bom. E a rotina leva-nos a criar laços que confundimos com algo que não corresponde à realidade. É o risco: amar uma puta.
Serei eu feliz com uma puta? Dificilmente alguém é feliz com uma puta... Vender o corpo por nada é tão ou mais ignóbil que o fazer por dinheiro. O usar e deitar fora é uma moda, fora de moda e de muito mau gosto. Segundos de prazer não justificam dias de sofrimento. E dói amar uma puta. Não hoje, não agora, mas depois... Amar uma puta obriga-nos a guardar rancor pelo sexo feminino. Faz-nos pensar: mas ainda há mulheres decentes?


PedRodrigues

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Reflexões a quente

Para perceberes que te percebo:

És um caso raro. Fascinas-me por seres como és. Eu sou uma pessoa complicada. Fascino-te por ser como sou. A nossa história é simples: rapaz conhece rapariga, beijam-se, rapariga apaixona-se por rapaz, rapaz luta contra esse sentimento, rapariga fica triste, rapariga tenta esquecer rapaz, rapariga procura novo rapaz, rapariga começa a namorar com novo rapaz, rapaz fica triste, rapaz segue a sua vida, rapaz não esquece rapariga… Anos depois… Rapaz perde o medo, rapaz declara-se a rapariga, rapariga acaba com novo rapaz, rapaz e rapariga podem ficar juntos finalmente, mas… Agora rapariga tem medo de rapaz. Como vês… Tudo muito simples.
Quero com isto dizer que compreendo o teu medo em ficar comigo. Compreendo que já te desiludi, que já te fiz sofrer… Mas, agora, anos depois… Estou mais maduro e não tenho medo de dizer que é em ti que aposto para nunca mais perder. E tu sempre apostaste em mim e nunca me esqueceste. Nunca me esqueces… E isso assusta-te. E pensas para ti que o que sentes por mim é o Inferno. Mas, quando estás comigo sentes-te no céu. E eu faço-te falta. Como nunca ninguém te fez e nunca ninguém irá fazer. Como temes ter uma relação comigo. Como temes que o que sentes agora por mim – que por si só já te assusta – cresça de forma exponencial e que uma relação comigo seja o catalisador para que tal aconteça. Temes entrar neste ciclo de palavras, actos e eventuais “eu amo-te”. E temes sobretudo que te volte a desiludir. Que te abra uma ferida no local onde outrora morava o coração que me entregaste. Uma ferida tão profunda que te rasga corpo e alma. Que te deixa uma marca que o tempo não conseguirá apagar. Sim, é verdade. Eu não sou nenhum dos outros. Eles apenas te arranharam… Mas eu… Temes o que posso fazer, como o diabo teme a cruz. A dor que posso causar. E por outro lado… Como é bom estar comigo, como te sentes completa… Como te sentes inteira. E como é bom sorrir. Apenas sorrir… Poderias ter mil homens na tua vida e nem um te fazer sentir assim. E tu sabes disso. Tu sabes que o que tenho de mau, tenho de bom. Faço-te tão bem, mas posso fazer-te tão mal… Tenho notícias para ti: não te quero fazer mal. Deus, eu dava a minha vida para te ver sorrir.
Mas… Como se ensina uma pessoa a não ter medo? Estendemos-lhe a mão e esperamos… E perguntamos a nós mesmos: quanto tempo dura um sentimento? Pela pessoa certa… uma vida.


PedRodrigues

Poema número vinte e três


Pedidos


Vem pedir-me um beijo
Um toque suave nos lábios
Entre risos e sorrisos
Singelos e sábios.
Olha-me nos olhos
Sem qualquer malícia
Percorre-me o corpo
Numa só carícia.
Vem pedir-me um abraço
Que te aqueça o coração
Pede-me paz e calma
Não largues a minha mão.
Tenho medo do escuro
Tenho medo da solidão
És enfim o meu futuro
És a luz na cerração…
És a mão que me guia
Através desta paixão.

PedRodrigues

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Poema número vinte e dois


Amor a Ferro e Fogo

Posso dizer que quem quero,
Quer-me pouco ou quase nada
E se por ela, triste espero
Gelo ao frio da madrugada.
Quero-a tanto e desespero
De tanto esperar, de tanto querer
Que ela me olhe com desejo
É isso que mais eu quero:
Um olhar, ou mesmo um beijo
Um beijo quente, enamorado
Ardente como o sol do deserto,
Um beijo que aqueça o corpo gelado
E dê certezas, ao que é incerto.
Quero que ela me olhe com certezas
E nunca sem querer…
Pois o brilho dos olhos dela
É a razão de meu viver
Digo enfim que quem eu quero
Essa mulher por quem eu espero
Tira-me o marasmo deste corpo
E se por ela desespero
Por ela amo a ferro e fogo…


PedRodrigues

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Poema número vinte e um

Vinte e um


Mais um ano,
Mais um dia,
Desta vida…
Melancolia…
Deste ócio,
Que me rasga
A carne
E o coração
Como faca,
Em manteiga
Num dia de Verão
Em mais uma Primavera
Desta vida
Que me embarca,
Esquecida.
Em dias de valor
Sou eterno, pescador
De sonhos ingénuos
Tais como: o Amor
Que não obriga
Mas desencaminha
O meu ser
Sem esquecer
Que a vida
São dois dias
E o que eras,
Ou serias
Ainda poderás
Vir a ser…


PedRodrigues

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Poema número vinte

Rosa


Sou uma rosa,
Que tu gostas de cheirar.
Mas não me tentes
Não me arranques
Não te quero magoar.
Sou belo, misterioso
Com um toque venenoso
Hipnotizo teu olhar.
Doce suor da luxúria
Que sentes no ar.
Excito teu corpo
Louco de desejo
Imploras que ceda
Te conceda este beijo.
Mas os espinhos
Malditos espinhos
Que cruzam nossos caminhos
Obrigam-te a parar.
Sou uma rosa
Triste, caprichosa
Com medo de amar.
Se um dia o fizer
Será de forma demente
Fugaz, certamente…
Pois ninguém me pode tocar.


PedRodrigues

domingo, 21 de novembro de 2010

Poema número dezanove

Ébrio Amor


Minha querida,
Meu amor!
Não te falo
De validade,
Mas valor…
Duma odisseia
Tão bela, rara
Tão triste,
Melancólica…
Que me enlaça
Nos teus passos
No calor, do agrado
De tua boca
Que transpira, louca
O desejo
De um beijo
Do Amor que entrega
Não é desgosto,
Mas desassossega
A minha alma
Que ébria, não acalma
A vida, em meus braços
Tão ávidos, fracassos
Que se confundem com viver
Com o eterno esmorecer
Da flor, da Paixão
Que me aquece o coração
E me faz dizer:
“É de ti que eu gosto,
É em ti que aposto,
Para nunca mais perder”

PedRodrigues

sábado, 20 de novembro de 2010

Poema número dezoito

Como me perder…


Largaste a minha mão, deixaste-me fugir
E ao ver-te ao longe comecei a sentir:
O coração gelado, como as noites de Inverno
A queimar o meu peito, qual fogo do Inferno.

Sempre que nos lembro, lembro-me de ti
Se hoje não nos lembro, também não nos esqueci
Perdi-te no tempo, sem nunca te perder
Venci duras batalhas, sem nunca as vencer…

Ao lembrar o teu beijo, ao sabor do luar
As ondas, a areia, o brilho em teu olhar
Olhando-me nos olhos, com medo de me perder
Perdendo-me no tempo, sem se aperceber…

É um erro dizer, que um dia te perdi
Pois o Sol que me beija, também te beija a ti
E o ciúme que dele sinto, não me traz nenhum mal
Pois a mim eu não minto: estaremos juntos no final.

PedRodrigues

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poema número dezassete/ Como (quase) tudo começou

Este bichinho da escrita e da poesia não é recente. Desde menino que me sinto preso a este mundo e não tenho vontade de lhe escapar.
Lembro-me de ter um poema exposto na escola. Poema esse que se encontra emoldurado e que ainda hoje me intriga. Tinha dez anos e vivia entre dois mundos, os mesmo em que vivo ainda hoje - embora hoje já as maçãs estejam maduras e eu já as tenha provado e o céu por vezes se vista de cinzento. Lembro-me da minha primeira carta de amor ( ou de ódio ). No meu sétimo ano, fui rejeitado pela rapariga de quem gostava. Eis o impulso de escrever para ela. O bicho a puxar-me a mão para a caneta. Escrevi palavras de amor e de ódio. Palavras das quais hoje não me lembro. Mas, escrevi... Já nessa altura falava em amor. Não sabia o que era o amor. Imaginava. Ainda hoje não sei o que é o amor. Continuo a imaginar. Anos mais tarde, apaixonei-me novamente. Apaixonei ? Acho que sim. Gosto de pensar que sim. O bicho apareceu novamente. Desta vez para ficar. Começou uma odisseia de palavras, de sentimentos cravados em folhas de papel e quadros pintados ao sabor de metáforas. Escrevo em busca do amor. O tal amor que não sei de onde vem, nem para onde vai. Espero que um dia ele me encontre ao virar da esquina, ou me acene no final dum verso...

Poema número dezassete, o começo da odisseia:


A Chama de Nosso Amor – para Vanessa A.


Porque somos duas almas gémeas
Criadas pelo mesmo Criador
Porque gozamos das mesmas alegrias
Porque sofremos da mesma dor
Fazemos parte dum mundo, emerso na desilusão
Tentamos moldá-lo, mas somos a sua criação
Nascidos numa tela em branco,
Pintados pela mesma mão,
Nosso Pintor superou-se, esqueceu a razão
Da irracionalidade divina, nasceu a confusão
O caos do mundo, do universo
Ironicamente criado pelo Criador
Tentando ludibriar a vida, esqueceu-se do amor.
Pela mesma razão nos revoltamos,
Porque ninguém nos ouve, gritamos!
O mundo luta contra nossa alegria
Tenta destruir o que nos une,
A união que nos dá força, esta harmonia.
Não reparam? A harmonia que vos rodeia…
A harmonia da chuva que cai, e volta para o céu
Das marés, que mudam ao ritmo do luar,
Das canas que abanam, com o vento a soprar
O amor maravilhoso que há, entre ela e eu!
Expliquem-me o porquê, de tanto ódio, sofrimento,
Se o tempo são pedaços infinitesimais de vida
Nos quais me perco, pensando na alegria…
A alegria de a trazer, sempre em meu pensamento.
Rejubila o Criador, por sua obra se recompor,
Percebe que o frio mundano, por vezes dá calor.
Pintados numa tela, de alegria sorrimos,
Temo-nos um ao outro e o mundo em redor.
Nem o tempo poderá apagar, a chama de nosso amor!



PedRodrigues

Poema número dezasseis


Oferenda – Poema para Inês


Entrego-te as primícias
De nosso amor, meu amor:
São as primeiras carícias
As mais sinceras, enamoradas
Com mais paixão e mais ardor…
São os primeiros beijos
Os mais longos, apaixonados
Com mais vontade, mais desejo…
Entrego-te a minha alma.
Alma de poeta vagabundo
Que te entrega o seu mundo,
Pois nada mais te pode dar…
Pena meu coração não ser de ouro
Pois te entregaria tal tesouro
Para não deixares de me amar.


PedRodrigues

Cartas de amor

Meu amor,

Hoje, mais uma vez, padeço aqui – longe de teu leito, longe de teu sorriso, longe do calor do teu peito – só, abandonado, meu amor. Faz tempo que te foste, faz tempo que me falham as notícias. Fugiste de mim e de mim levaste a réstia da chama que aquecia este corpo – estou prestes a cometer a loucura de dizer, que eras tu a minha chama – agora mortificado ao sabor das lembranças de outrora.
Eras tudo o que podia pedir, talvez até um pouco mais – não exageremos, pois tu nunca serás demais, meu tudo, meu harém duma só alma, pessoal e exclusivo, és tudo o que estes olhos vêem e um pouco mais ainda, que eu sei que lhes escapa. Fosses tu uma miragem e eu amaldiçoaria os Deuses, por brincarem comigo…
Volta, te peço. Traz de novo esse fulgor que te caracteriza a alma. Volta para mim e serei teu por inteiro. Esperemos enquanto nosso amor medra ao sabor do mudar das estações. Vem dar-me a tua mão, tentar fazer tudo de novo: acertar onde errámos, ser o que não fomos e brilhar como nunca quisemos brilhar.

Para sempre teu,


PedRodrigues

Poema número quinze

Poema da Mentira


Minto com facilidade,
Essa sim é a verdade
Por mais dura que possa ser…
Não o faço com vontade,
Essa sim é a verdade
E isso consome-me, faz doer
É hipocrisia se disser
Que minto para te proteger…
A verdade é que minto
Porque vejo e porque sinto,
Que a vida nunca é como se quer!


PedRodrigues

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poema número catorze

Como água para chocolate
(Como Pedro para Inês)

Como água para chocolate
Eu estou para ti, meu amor…
Apaixonado, assoberbado
Por teu corpo e seu calor
Sinto-me por ti dominado
A teus pés rendido
Sinto o peso de meu fado
Por momentos esquecido
Este laço que nos une
Esta receita que nos prende
É um jogo divino
Que de nós, não depende
Como água para chocolate
Estás para mim, meu amor
É o que vejo nos teus olhos
E em todo o seu esplendor
Quando me olhas sem pudor
E me tocas com tal desejo
Sinto então que o nosso amor
Resume-se ao calor de um beijo
És chocolate para mim
E eu como água estou para ti
E se o destino nos quis assim
Foi por vontade, e não gracejo…
(Como a água nos meus lábios
Prova o chocolate do teu beijo.)

PedRodrigues