quarta-feira, 22 de agosto de 2012

21-08-2012


Há três dias que não durmo. Há três dias que me perco a imaginar o que estará errado. Jurámos amor um ao outro. Amámo-nos durante onze meses. Lutei por ti como nunca lutei por ninguém. Nunca desisti de nós porque sempre nos vi emoldurados a sorrir um para o outro como se o mundo tivesse sido feito à nossa imagem. Escrevi-te durante meses e em todos os meus textos conseguia sentir-te a palpitar nas palavras. Nunca me deste crédito por nenhum deles, mas isso pouco importava. Sabia que me amavas e sabia que te amava e o resto era só o resto e não me aquecia nem arrefecia. Aprendi a lidar com a tua meninez e a compensar todos os teus caprichos com a minha maturidade. Nunca me interessou a tua falta de vontade pelos grandes gestos românticos. Sempre consegui retirar aquilo que precisava nas pequenas demonstrações de afeto que por vezes deixavas escapar. Amava-te e ainda te amo e não deixarei de amar. Os teus papéis continuarão colados na parede. As minhas camisolas continuarão a fazer parte do teu guarda-roupa. Não nos deixarei morrer, mas não cabe apenas a mim manter-nos vivos. Não sei onde errei, nem onde te falhei, mas se o fiz só te posso pedir desculpa. A vida segue em frente e nós seguimos com ela. Um dia vivemos um sem o outro e hoje teremos de o voltar a fazer. Custar-me-á o mundo não acordar com os teus telefonemas, ou adormecer sem te ter ao meu lado, mas terei de aprender a lidar com isso. Mais uma vez te digo que não sei o que se passou para me dizeres

-As coisas arrefecem

Ou

-Não sei se ainda gosto de ti como gostava

Não sei quem entrou na tua vida. Não sei se alguém entrou na tua vida. Mas às vezes perco-me de razões a imaginar se não terei sido eu a abrir-lhe a porta. Sempre achei que a distância não era grande o suficiente para nos separar. Habituei-me a lidar com a relação dos meus pais como se fosse minha. Tornou-se no meu mantra e no meio de todo esse processo acabei por negligenciar a tua falta de conhecimento das relações em interruptor. Não és como a minha mãe, não és a minha mãe e eu não sou o meu pai. Talvez tenha errado nas assunções, mas não o fiz por mal. Acabei por me sentar à margem a ver a nossa relação ruir. Por isso mesmo te peço desculpa.
Espero que não te esqueças de nós, assim como eu não esquecerei que um dia disse pela primeira vez

-Amo-te

Com todas as letras a que a palavra tem direito. Acredita que não o disse ao acaso, ou sem razão aparente. Disse-o do coração e de coração na boca ainda hoje o digo – se for preciso. Nunca me esquecerei da saia grená que usavas nesse dia, das botas de salto alto com pêlo, da tua camisa branca. Lembro-me do beijo, lembro-me das tuas palavras

-Gostas de mim de A até E?

E que poderia eu dizer a não ser

-Amo-te

E esperar pelo teu

-Amo-te muito

Como queres que me sinta hoje a não ser desfeito? Como queres que me sinta depois de me dizeres

-Já não sei se gosto como gostava

Custa-me o mundo. Acredita que me custa o mundo. Custa-me ainda mais porque nunca entendi – e tu sabes – essa coisa do amor crescente em função do tempo. Para mim o amor é apenas amor e será sempre amor: não cresce, nem decresce. Assim sendo, não sei o que nos aconteceu. Juro que não sei. Apenas continuo a crer naquilo que sei: as relações são feitas de amor. As relações são feitas para aqueles que acreditam. As relações não são feitas para aqueles que desistem. Agradeço-te por tudo, mas não te perdoo por um dia teres desistido de nós.

PedRodrigues

11 comentários:

  1. Alguém que não quantifica o amor pela passagem do tempo, sabe que o tempo, então, será o seu melhor aliado para que um dia volte a viver plenamente. Mais cicatriz, menos cicatriz. Nada existe por acaso. Fases feitas não são excepção! E escrever é terapia tanto ao emissor quanto ao receptor.
    Continua o excelente trabalho!

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  2. Ninguém descreveria tão bem a mim e à minha vida neste momento como tu acabaste de o fazer. Se alguém te entende, sou eu.
    Parabéns pelo excelente trabalho!

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  3. Estou na mesma posição, sinto mesmo! Pergunto-te, como estás hoje?

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  4. Honestamente: o melhor texto de sempre.

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  5. Quem nunca passou por um desgosto amoroso? Quem nunca leu este texto e se identificou? Muitos, aposto, mas só tu conseguiste transcrever para o papel a dor de um coração magoado. Parabéns, sinceramente apaixonei-me por cada um dos teus textos.*

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  6. Por ser tão verdade, até arrepia!!

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  7. Lindas palavras..vê-se e sente-se muito Amor...Mas de certeza que um dia voltarás a dizer essa palavra a outra menina :) ... e serás muito feliz com todo o apoio nesta vertente e que será "a" alguém que terá outra reacção a palavras escritas por ti tão sentidas como estas.

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  8. Passei exactamente pela mesma situação. O meu blog, aliás, retrata esse mesmo cenário do "já não gosto de ti da mesma maneira". E a mensagem que deixo ao homem que me deixou é exactamente a mesma: não te perdoo por teres desistido de nós.
    É bom saber que não estou sozinha nesta maré.
    É bom ver-me espelhada noutras dores, noutros amores, noutros fins.
    Gosto de te ler.

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  9. Gosto. Não sei se o que escreves são "histórias" vividas por ti ou se são fruto do escritor, mas gosto. Gosto do sentimento que é transmitido e da forma como eu me revejo nas palavras que gostaria de ter "a coragem" de escrever e dizer.

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