segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Croniquinha feita de esperança


Ver a tua imagem e adivinhar-te. Adivinhar a textura da tua pele, o cheiro do teu regaço, o ritmo das palavras saídas da tua boca. Ver-te e adivinhar-te. Passar as tuas fotografias a pente fino: há imagens que falam connosco; há imagens que falam connosco e nos mentem. A tua imagem não. Olho-a e imagino-te de cabeça deitada sobre o meu peito. Imagino-te escrita e desenhada pelas minhas palavras. És linda. És os filmes que invento quando oiço as minhas músicas favoritas. Vejo-te e adivinho-te a passeares descalça pela casa. Imagino-te a sorrir com as minhas expressões estúpidas. Talvez sejam as tuas gargalhadas que me perseguem quando sussurro palermices às paredes. São os teus passos que demoram quando me deito sozinho a contemplar o branco hipnótico do tecto. És tu. Adoro inventar-te de mão dada comigo numa tarde de Primavera. Pudesse eu reinventar o tempo de tudo. Pudesse eu apressar a eternidade dos dias. Às vezes o tempo tem o orgulho sádico de nos separar. Mas o tempo é só tempo e acabará por passar. Aqui deste lado eu espero por ti: a adivinhar-te. És o conforto que vai restando neste Inverno garrido que acontece lá fora. É a tua imagem que vai falando comigo nos momentos em que a solidão teima em mostrar a cara. Devolveste-me o sorriso e, talvez por isso, sinta que já fazes parte de mim. Não muito, não pouco, mas o suficiente. E é vendo-te e adivinhando-te na dose certa que vou encarando os dias com esta felicidade inocente.
Ver-te e adivinhar-te
Feita de mim
No meu sangue
O teu sangue
Ver-te e imaginar-te
Amando-me
A amar-te
Eu e tu
Juntos
Um dia
Por favor, não demores.
 
PedRodrigues
 

1 comentário:

  1. Fabuloso...
    Tens o dom de colocar em palavras todos os sentimentos que, neste momento, me correm nas veias...

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