quarta-feira, 5 de junho de 2013

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É estar de pés enterrados na areia. Sentir os grãos entre os dedos. Olhar o mar, olhar a imensidão do mar e pensar

-Sou tão pequeno

Porque no fundo sou mesmo. Sou tão pequeno quando comparado com o mar.
É sentir o sol na cara. Sentir o calor do sol na cara. Esquecer tudo: presente e passado. Sentir o sol na cara e esquecer que sou pequeno quando comparado com o mar. É pensar como um grão de areia

-Sou tão pequeno

Porque é. Mas uma praia é feita de grãos de areia. E eu, por exemplo, sou tão pequeno em comparação com uma praia.

-Sozinho sou tão pequeno

Sozinhos somos demasiado pequenos. Sozinhos o mundo parece engolir-nos: temos medo, somos fracos, somos uma pequena parte. Aos nossos olhos o mar parece um gigante azul que se irrita de quando em vez. O céu parece demasiado vasto para caber nos nossos olhos. Sozinhos somos isto. Sozinhos somos pouco.
É sentires a brisa na cara e pensares

-Sou este instante

Parares, respirares fundo, sentires novamente a brisa

-Também sou este instante

E assim sucessivamente: instante após instante. É sentires-te parte de cada instante por seres esse mesmo instante. É estares cá e gostares de estar cá. Pensares no mar, no céu, na areia, no vento. Veres o mundo como ele é: demasiado grande para caber na palma da tua mão. Mas teres alguém ao teu lado que te diz

-Tu consegues

Alguém que te dê a mão

-A minha mão cabe na palma da tua mão

É entenderes que podes tornar alguém no teu mundo. Perceberes que não há impossíveis quando estão juntos. É sorrires e sorrires e sorrires e sorrires: até te cansares. Mas nunca te cansas, pois não?

(A sorrir)

-Nunca me canso

A verdade é essa: nunca te cansas. Quando estás verdadeiramente feliz, a vida parece-te um Verão interminável. E ninguém se cansa do Verão, pois não? Todos gostamos demasiado de sentir a areia nos pés, de sentir o calor do sol na pele, de olhar o mar e imaginar onde termina o horizonte. São os prazeres da vida. São as pequenas coisas da vida. Como nós, que também somos tão pequenos.

-Sou tão pequeno

-Tens a certeza?

-Sozinho sou tão pequeno... – sorriu - Mas quando estou contigo sinto-me infinito.

PedRodrigues

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