sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ao primo Tó Moinhos

Dizem que quando morremos deixamos de ser homens e passamos a ser estrelas no céu a olhar pelos outros. Nunca acreditei muito nisso porque as estrelas no céu brilham lá ao longe e não se parecem preocupar com a nossa pequenez. Tu não eras assim. Brilhavas na terra, como as estrelas no céu, mas, ao contrário delas, preocupavas-te com todos à tua volta. Eras dono e senhor de uma alegria contagiante que se multiplicava em todos nós. Sempre que te recordo, acabo por sorrir. É impossível não o fazer. Depois vem o vazio, o choque com a realidade. Hoje não estás. Hoje não me vais dizer que o meu avô tem a mão pesada para o sal, ou que a minha mãe é uma encrenca. Hoje não me vais abraçar com força contra ti. Tenho saudades. A morte tem a tendência sádica de nos separar. Mas enquanto um de nós viver, nenhum de nós será esquecido. Tu continuarás a viver em cada um de nós: em cada memória, em cada lágrima, em cada sorriso. O amor que nos deixaste continuará a crescer e a ser passado de geração em geração. As tuas histórias continuarão a ser contadas. A alegria contagiante do teu sorriso continuará a ser maior que as lágrimas choradas. Não te esqueceremos. Nunca te esqueceremos. Um abraço apertado de quem te ama, Encrenca.


PedRodrigues

(Crónica publicada no jornal "Portuguese Times")

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