segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Partir, para ficar


Comecei, no dia um de Agosto, a escrever o meu segundo romance. Sou sempre um pouco céptico em relação ao que escrevo. Não é fácil meter no papel aquilo que trazemos por dentro. Não é fácil metermos as tripas de fora. Mas é necessário.
Aqui vos deixo um pequeno excerto. É assim que tudo começa.


Ali, o mar. Ali, o horizonte. Ali, as incertezas de uma vida que ninguém conhece, ninguém vê. O mar liga terras que não conhecemos, com pessoas que não conhecemos, com vidas que não conhecemos. O mar liga-nos.
 
As histórias começam onde as pessoas acabam. Há gente que acontece para lá daqui. Se gritar, mesmo que grite com todas as minhas forças, do outro lado do mundo ninguém me ouvirá. Sou demasiado pequeno para um mundo tão grande. As histórias são inventadas para serem passadas de boca em boca. Se tiver sorte, a minha história chegará ao outro lado do mundo. Os homens são demasiado pequenos para este mundo tão grande. Mas, de quando em vez, há homens que crescem e se multiplicam por todo o lado. Vão crescendo de boca em boca. O sonho dos homens é esse: serem gigantes.
 
Esta é uma história sobre pessoas e ideais. Uma história sobre concretos e abstractos.  
Tudo se passa numa pequena vila, junto ao mar, na margem sul de um rio que a separa de uma cidade média. Entre as duas margens há uma ponte. Há quem a atravesse para ir trabalhar, há quem a atravesse para regressar a casa. Esta é uma história de partidas e regressos.

PedRodrigues

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