terça-feira, 7 de outubro de 2014

Às mulheres que terminam capítulos

Então saiu à rua. Muito senhora de si. De lágrimas guardadas na mala, ao lado da maquilhagem. De esperança nos olhos e sonhos desenhados nas palmas das mãos. Às vezes é preciso um ponto final, e não uma vírgula. Os capítulos começam com letra maiúscula – aprendeu na escola. Olhou para trás e ele ainda lá estava. Se deres mais um passo, cais no precipício, pensou. Já não há chão entre nós. Acabou. Desabou por completo.  Se deres mais um passo cais no precipício. Agora eu avanço sem ti.  Já nada nos une. Já nada de bom nos une. Já nem as lágrimas te choro. Já nem o luto te faço. Acabou. Acabamos por perder aquilo que não sabemos guardar. E tu perdeste-me, pensou. Nem uma palavra ela disse. Nem um som ela fez. Nem uma última lágrima, por ele, ela chorou. Diz-se que o destino é um corredor muito longo com várias portas. Ela acabara de fechar uma. E preparava-se para abrir outra.


PedRodrigues

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