quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Não sei que título dar a isto


Não quero olhar para ti e pensar que foste aquela que deixei fugir.
Vou esperar que o tempo passe, a poeira assente e tudo volte ao sítio certo – se é que há um sítio certo.
Vou esperar pela neblina da manhã do primeiro dia da primavera, pelo vermelho fogo do pôr-do-sol do primeiro dia de verão, pelo cheiro da terra molhada do primeiro dia de outono, pelo calor humano partilhado na primeira noite de inverno.
Vou esperar. Sem pressa de nada. Sem vertigens de ansiedade.
Vou esperar no meu canto, sem te pressionar.
Não vou adiantar os ponteiros do relógio. Rezar aos anjos e aos santos para que o tempo acelere. Não me vou desdobrar em pensamentos, ou invenções. Não me vou lamentar, como um parvo.
Vou esperar.
Devagar, o momento certo há-de chegar. Quero estar preparado.
E quando olhares para mim, espero que digas que sou aquele que acertou.
Quero ser aquele que ficou.

 

PedRodrigues

1 comentário:

  1. Lindíssimo!
    Uma questão: vem tudo de realidades experienciadas ou de irrealidades criadas? (:

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