quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Àquela que se apaixonar por mim...


Boa sorte. Não me tentes procurar em mapas antigos; a maior parte das estradas do meu coração são novas. Sei que não será fácil amar alguém como eu. Não sempre. Não todos os dias. Haverá dias em que não será fácil. Nada fácil. Dias em que me fecharei em copas, com todos os meus problemas – não te vou querer preocupar ou chatear com eles. Sei que quem ama partilha, mas quem ama também protege. É isso que quero: proteger-te. Não me censures. Perdoa todos os meus casos com as palavras, com os livros, com as madrugadas de insónias e as cores das manhãs. Perdoa os textos que te causarão algum embaraço. Alguma exposição indesejada. Só quero usar as palavras para explicar o que trago por dentro. O quanto te poderei amar. Haverá outros dias em que te deixarei desarmada com os gestos mais banais. Os que, ao mundo, parecem absurdos. Deixar-te-ei, por vezes, sem palavras. Mas isso é bom. Em todas elas o silêncio será um aliado, um bem necessário. Não te preocupes se me perder a olhar-te. A tentar decifrar cada traço. Quero guardar-te em mim. Procurar a certeza dessa vertigem que será amar-te. A ti que um dia farás parte desta jornada, peço que não ignores os meus defeitos. Mas que os ames. Como o mar ama as estrelas que nele se reflectem, sem nunca lhes tocar.
 
PedRodrigues

3 comentários:

  1. o texto está muito bom, mas serias, de certo, uma paixão que tentaria evitar.
    parabéns. escreves muito bem. (:

    [B.]

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  2. Que lucidez, que transparência. Tornaste-te a minha melhor companhia das madrugadas nostálgicas e que nos gritam na alma, para que agarremos no telemóvel e desistamos de lutar contra aquilo que sabemos que nos destrói por dentro. És o único consolo que procuro quando não consigo ser lúcida e racional sozinha. Que sensação é porder rever coisas de ti que já conheço sem ver, que sensação ainda melhor é conhecer novos lados do que és. Que arritmia interminável e ler algo que acerta em todas as palavras naquilo que sinto, que sensação de assalto à alma, e de devoção, simultaneamente. Estarei eternamente grata por tudo quanto me mostras quando escreves, e eternamente grata por me guiares tantas vezes em que me senti a fraquejar e a cair, por me levares a perceber que 'somos uns guerreiros do caraças', e pela coragem que me deste para gritar ao coração que por vezes, nós temos o Mundo connosco, e corremos atrás de alguém que nunca nos procurará para nos ver sorrir. Que felicidade é saber que poderás, ou não, lê-lo. Espero que sim, e que a tua tremenda inteligência te leve a perceber-me. Obrigada pela companhia nos momentos mais tenebrosos de mim, ainda que feita unicamente com as palavras.

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  3. E Amar na sua verdadeira essência não é isto? :) As (Im)perfeições é tudo o que nos define e tudo o que nos Apaixona. Grande texto Pedro. Beijinho

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