sexta-feira, 27 de março de 2015

Lição de combate número um


E depois a luz arranja-se entre os buracos da persiana. Os sonhos arranjam-se por dentro, com vontade de nos juntar a eles para sempre. Mas temos de acordar. Abrir os olhos. Poisar os pés no chão. Não sentir a terra a girar: saber, apenas, que é assim. Há mais vida para lá dos sonhos. É esse, talvez, o flagelo da realidade. Não podemos abrir novamente os olhos quando as coisas não correm bem. A realidade é uma certeza dolorosa. Aqui, no chão, não há deuses que nos valham. Anjos que nos acudam. A terra gira. Somos forças dinâmicas, capazes de moldar a nossa realidade. Motores de carne e de ossos, movidos pela vontade. Nada na vida está perdido totalmente. Para o futuro há que aprender com o passado. Nada na vida se perde totalmente. Pelo menos, é a forma como eu olho para as coisas. Desejando reparar os erros do passado num futuro que ainda vou sonhando. Depois a luz teima em aparecer. Abro os olhos e percebo o poder do sonho e do tempo. As feridas que não nos matam, acabam por sarar. E um dia acabaremos por usar essas marcas com orgulho. Porque é isso que os guerreiros fazem. Mostram que venceram a morte, com um sorriso no rosto. Mostram que sangraram durante a batalha, mas venceram. E nós somos uns guerreiros do caraças, não somos?

 

PedRodrigues

1 comentário:

  1. "Somos uns guerreiros do caraças", Um coelho manda-nos emigrar e nós fugimos para longe, em vez de pegar numa caçadeira!
    Eu também fugi duma ditadura! Estive em África com a G3 na mão, em vez de estar cá no dia 25 de abril de 1974, estava em França a ver de longe em que paravam as modas, mas depressa me apercebi que era cá a minha luta, este é o nosso país e é cá que temos obrigação de lutar.

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