quarta-feira, 21 de outubro de 2015

M. de Outono


De todos os Outonos que caem do céu, em chuva, lá fora, quero-te a ti. Tu, com os teus cabelos que se perdem entre as cores das folhas deixadas pelas árvores e a esperança de um espaço partilhado a dois no meio da tempestade. Lá fora tudo remexe e se desfaz. Tudo se prepara para novas noites de frio e aguaceiros. Novos finais, novos começos. Cá dentro, entre os lençóis, o barulho da chuva. O telemóvel pousado ao meu lado na expectativa das tuas palavras. Um silêncio enorme. Só o vento e o martelar dos dedos no teclado. Vou dedilhando o que sinto pelo teu sorriso cor de pérola que, se fosse poeta, diria que acontece velozmente. Não sei o que desse lado tu pensas da chuva, nem do Outono, nem do Inverno, nem de mim. Talvez me vejas ao longe, como uma possibilidade distante de algo. “Talvez”, pensas tu. “Talvez”, também eu penso. A vida é matreira e vai pregando partidas. O coração ainda bate, mas já foi cosido algumas vezes. As marcas servem para lembrar, especialmente nestes casos. Se eu fosse a chuva, não tinha medo do chão. Todos acabamos por nos despenhar em alguém. Talvez o meu Outono sejas tu. Talvez o teu Outono seja eu. Não sei. Preciso de o ouvir da tua boca. Gritado entre o barulho do vento e do céu chorado. Das sete cores do arco-íris, escolho as tuas. De todos os beijos do mundo escolho os teus.
Basta me dares a mão e dizeres que sim.

 

PedRodrigues

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