domingo, 6 de março de 2016

O jogo


Queria partir em busca de novos países, onde pudesse inventar vidas, construir casas, constituir família
lugares comuns, como os recreios das nossas infâncias
conheci-te mais tarde, num jantar de amigos
numa situação aleatória
até aí, a vida brincava às escondidas connosco
eu procurava-te e não sabia
tu escondias-te de mim e não sabias
mas o mundo é redondo e nós não temos pernas para lhe fugir
a vida é um ciclo vicioso e,
eventualmente, acabamos sempre por encontrar alguém
[mesmo quando não sabemos]
Eu queria um novo país, uma nova fronteira
onde me pudesse rir a contar as constelações, ou os pingos das primeiras
chuvas da nossa primeira primavera
queria invadir outros espaços, onde me pudesse perder e
aguardar por uma mão que me guiasse às escuras
um lugar onde fôssemos juntos
sem medos
O teu corpo foi o último país que conquistei;
tenho as fundações da nossa casa enterradas no teu coração
aqui o chão treme todos os dias
o tecto desaba:
ficam as estrelas e
tu ao meu lado, a ensinares-me os caminhos secretos
que mais ninguém conhece
- Talvez me deixe ficar por aqui – dizia-te enquanto
me sorrias; e o teu sorriso era motivo suficiente
para me fazer ficar

 
[Rebenta a bolha:
o jogo acabou]

 

PedRodrigues

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