domingo, 8 de maio de 2016

A Coimbra, depois do adeus


A saudade é um espaço
que tentamos preencher
com as memórias
dos rostos, das conversas,
das noites, das tardes,
do sol, do Mondego,
dos copos entornados,
dos amigos que se afastam
devido às circunstâncias
da vida
Ficam esses momentos
em que o choro das guitarras
nos fazia chorar também
Em que as aulas nos aborreciam
em conjunto, e fazíamos juras
de estudar para passar
noites, e noites, e noites 
a fio.
Noutros tempos usámos
o negro como uma cor alegre,
apesar das lágrimas dos últimos
abraços junto às escadas da velha 
sé. Noutros tempos usámos
cartola, mas não éramos 
mágicos - se fôssemos,
pararíamos aí o relógio.
Noutros tempos fomos uma cidade
e todas as suas pedras, e as suas 
estátuas, e a sua história e a sua 
universidade.
Noutros tempos fomos Coimbra,
hoje somos saudade. 



PedRodrigues

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