quarta-feira, 29 de junho de 2016

Saída de emergência


Para o fim do mundo ainda falta muito tempo. Não te preocupes, dá-me a mão. Conta os carros comigo. À noite, os faróis são estrelas cadentes a desaparecerem no asfalto. Podes pedir um desejo, ou dois. Eu sei, amor, não acreditas em desejos pedidos. O destino parece sempre abrir as portas erradas. Não acreditas em novos amores, praias, cabanas. Talvez porque o amor nunca te tenha levado a praia alguma, ou construído cabana alguma. Há uma saída de emergência que nunca usaste. Acabaste sempre por ficar. E depois, no meio do desastre, hemorragias internas, dores intensas choradas às escondidas. O coração nos cuidados intensivos e juras de nunca mais acreditares nas estrelas. Mas não é o fim do mundo amor. Dá-me a mão. Conta comigo os carros, canta comigo o refrão de alguma canção. Não tenhas medo. Não te prometo cabanas, nem praias. Senta comigo aqui, neste banco de jardim. Contamos as estrelas nos faróis, mas não lhes pedimos seja o que for. Vamos ficando, contando, até perdermos os números de vista. De mão dada, amor.

 

E se for para sair? Saímos juntos.

 

PedRodrigues

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