sexta-feira, 5 de abril de 2013

Conversa imaginada (?)


-Por que razão me escolheste a mim?

A verdade é que ele não sabia muito bem qual a razão de a ter escolhido a ela. Ninguém sabe por que razão amamos quem amamos no meio de tantas outras possibilidades de amor. O coração quer, o coração manda, não há grande volta a dar. Não escolhemos a dedo porque as coisas não funcionam assim. Há as pessoas e aquilo que as pessoas são para nós. Algumas entranham-se sem razão aparente. Ela era para ele uma dessas pessoas.

-No meio de tantas raparigas: mais bonitas, mais inteligentes, mais certas para ti. Porquê eu?

Porquê ela?

-Conheces tão pouco de mim.

Às vezes o pouco parece tanto. Às vezes basta um sorriso a meio de uma conversa. Basta uma palavra bem empregue a meio de uma frase. Basta o click no interruptor. Às vezes, se nos deixarmos perder no momento, um rio pode parecer um mar, uma praia um deserto e uma estrada pode parecer infinita. Há coisas que não têm uma explicação lógica – ou não precisam de uma explicação lógica. Esta era uma dessas coisas. Este era um desses enigmas do coração. No meio de milhares de pessoas, de centenas de amigos, conhecidos e simpatizantes havia ela. A mais improvável das soluções. A mais improvável, mas não a menos certa.

-Que queres que te diga? Que o mundo à minha volta se dissolve quando falo contigo? Que dou por mim a olhar para as tuas fotografias e a imaginar-me ao teu lado? Queres que diga que o meu corpo se contrai quando não estou contigo? Ou que sempre que estou contigo rezo para que o tempo pare?

-Mas como me encontraste no meio da multidão?

-Não sei se já te disse: aos meus olhos tens a tendência teimosa de te destacares, estejas tu onde estiveres.

-Sou assim tão especial?

-Para mim és especial e isso deve contar para alguma coisa, não?

-E se eu não gostasse de ti como gostas de mim?

-É esse o caso?

-Não, mas podia ser.

-Se isso acontecesse teria duas opções: ou ficava no meu canto a lamber as feridas, ou continuava a lutar. Acho que é assim que se descobrem os grandes amores: quando a vontade de lutar por alguém se contrapõe ao dramatismo da rejeição.

-E se mesmo assim não fosse suficiente lutar? Ou melhor: quando devemos parar de lutar?

-Pela pessoa certa? Nunca.

-Como sabes que eu sou a pessoa certa?

-Não sei, mas eventualmente hei-de saber. A vida é como um puzzle com milhões de peças. E neste puzzle, como em todos os outros, apenas as peças certas encaixam umas nas outras.

-É verdade.

PedRodrigues

1 comentário:

  1. Escreves tão, mas tão, bem...completamente rendida às tuas palavras :)
    Parabéns pelo teu trabalho e continua a fazer-nos sonhar com os teus textos!

    ***

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