domingo, 1 de junho de 2014

Croniquinha em jeito de desabafo



E então descobri silêncios dentro do silêncio. Naquele dia, àquela hora, quando tudo o que queria era ouvir a tua voz junto ao meu ouvido. Descobri que há mais para lá do fim que aquilo que julgamos. Então fechei os olhos. Apertei as saudades misturadas entre os lençóis: tu não estavas. Há mais para lá do fim. Há o que fica de nós: sangue, suor, lágrimas. Então percebi que as lágrimas que choramos quando morre o amor são as que mais nos magoam. As lágrimas que choramos de saudade são as que mais nos pesam. Mas se vamos chorar, que choremos por algo que valha a pena. Naquele dia, àquela hora, tudo o que queria eras tu. Não a imagem de ti. Não a ilusão de ti. Não as memórias de ti. Queria-te. Como se quer o amor. Como se quer o sol que nos aquece depois do inverno gelado. Como se quer o sol. Não o sol com todos os raios que partilha com todo o mundo. Os únicos raios que me interessam, são aqueles que o sol partilha contigo e comigo. É deles que te falo. É deles que sinto falta. Então tento desligar-me um pouco para que te possa anular em mim. Porque tu vives em mim. E não quero a tua imagem, as tuas memórias, a ilusão de ti. Quero-te. Quero a tua mão a tactear o meu corpo como se fosse a primeira vez. Quero os teus lábios nos meus. Quero um segundo de ti. Quero uma vida de ti. Quero que, onde quer que estejas, procures por mim. Eu aqui ando à deriva, na esperança de te reencontrar.

 

PedRodrigues

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