quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Caderno


E no meio do caderno recordações de um amor passado. Juras de um “para sempre teu” e de um “para sempre tua”. Palavras. Nada é para sempre. Agora a página termina. Não há mais linhas onde escrever. Não há mais espaços onde marcar os sentimentos no papel. Agora viramos a página. A história terminou. Fechamos o caderno. Até um dia o voltarmos a abrir por acaso. Vai doer. Pode ser uma dor miudinha, quase sem sentido, mas vai doer. É a dor da afirmação. Se o amor for verdadeiro, quando terminar doerá. Esta é a prova que o amor existiu. Depois do fim, o amor dói. Porque estas coisas têm a mania sádica de se perpetuarem por dentro. Vivemos do avesso. Guardamos as mágoas e mostramos os sorrisos. Somos cadernos de capas rijas, marcados com histórias de amores quase possíveis. Um dia alguém nos abrirá e perder-se-á no meio das nossas histórias. Não se cansará de nos ler. Não terá medo dos segredos que guardamos, nem das chagas que nos marcam. Um dia alguém voltará a escrever nas nossas páginas. Com sorte, poder-se-á ler: “amo-te, aqui mais ninguém escreverá”.

 

PedRodrigues

2 comentários:

  1. e será sempre assim; enquanto existir um coração e outro que seja da mesma assinatura, as palavras saberão sempre caminhar o seu caminho, até se encontrarem. Lindo!

    ResponderEliminar