segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Outra dissertação sobre os dias de chuva

Lá fora chove. O céu parece querer desabar sobre as cabeças de quem anda na rua. Pergunto-me por que razão olhamos tantas vezes o céu. Talvez o céu seja apenas algo bonito de se olhar, ou talvez procuremos respostas. O céu não nos responde. O céu chove sobre as nossas cabeças. É o que o céu sabe fazer, aquilo para que foi criado. Diz-se que a chuva, por vezes, é uma bênção; outras vezes é uma maldição. Aqui dentro, no meu bloco de papel, perco-me em analogias entre a chuva e o amor. Descobri, no meio desta confusão de palavras, uma ténue verdade que talvez mais tarde venha a refutar. Vivemos na crença do amor perfeito. Procuramos algo que não existe, que nos foi contado pelas histórias que terminavam invariavelmente num “felizes para sempre”. Criámos uma ilusão do amante perfeito, aquele que compreende as sete cores do nosso arco-íris. Mas ninguém é de barro. Ninguém se molda à nossa vontade. Ninguém é perfeito. Ninguém entende as sete cores. Todos temos as nossas dúvidas, as nossas inseguranças, as nossas confusões, as nossas lutas pessoais. Somos seres falíveis. “Perfeitamente defeituosos”, como ouvi uma vez. Nem sempre a chuva que cai do céu é uma bênção. E nem sempre os outros nos vão agradar incondicionalmente. Temos de os aceitar por aquilo que são e não por aquilo que poderão ser. Talvez nesse momento sejamos mais felizes. Um mundo sem erros é como um céu sem chuva: no meio da seca, acabamos por ter saudades de nos molhar.


PedRodrigues

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