domingo, 9 de agosto de 2015

Filosofia barata


 

Devagar percebi que nem sempre um sorriso significa que estejamos felizes. Nem sempre uma mão nas costas significa alento. Nem sempre um beijo é sinal de amor. Devagar percebi que as pessoas são possuidoras de uma capacidade impressionante para o disfarce. Que o ser humano é cruel sem razão aparente e dono de um sadismo sem igual. Devagar a vida ensinou-me a prestar atenção ao que me rodeia; a separar o trigo do joio. Nem todos os que te estendem a mão te querem ajudar a levantar. Nem todos os que te gabam na cara, te defendem nas costas. É preciso saber distinguir quem te quer realmente bem, quem te procura na bonança e não te despreza na tempestade. Os teus sucessos nem sempre serão festejados por todos. Haverá sempre quem se roerá por dentro, à espera que tropeces na primeira oportunidade. Não lhes ligues. O caminho é feito por quem o caminha, e todos podemos tropeçar: faz parte da nossa natureza, da nossa fragilidade. O que distingue os vencedores dos vencidos é a capacidade de perseverança. Esta é uma lição importante. De tanto esfolar os joelhos aprendi a cair. E em cada queda percebi que havia a possibilidade de me levantar, mais e melhor. Talvez isto soe a filosofia barata, ou a um discurso de algibeira desses profetas do culto do eu, mas a verdade é esta, por mais quadros que pintem em volta dela. Aprendi com o tempo a prestar atenção aos cheiros da humidade do cair da noite, às cores apaixonantes de um nascer do sol. A vida ensinou-me a estar atento, a ter cuidado. Fazer parte de algo, não quer dizer ser consumido por algo. Não nos deixemos enganar. Se dentro de nós fizer sul, não nos percamos noutros nortes.

 

PedRodrigues

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