segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Último texto de Agosto


Preferia que me tivessem dito que os monstros debaixo da minha cama, afinal, existem. O céu também pode ser pintado de vermelho e o mar, ao fim e ao cabo, não tem cor. Os baralhos não têm apenas cinquenta e duas cartas. E os arco-íris nem sempre se entendem nas sete cores.
Preferia que me tivesses dito “boa noite, até amanhã”, em vez de “adeus, até um dia”. Ou me tivesses beijado na testa com carinho, em vez de na boca com desprezo. Se a vida fosse fácil, as lágrimas não seriam choradas para acalmar a dor. Nada nos é dado de mão beijada. E nem sempre a sorte conspira a nosso favor. A luz nem sempre é imensa, mas até a estrela mais pequena pode iluminar uma noite escura.
Preferia que me tivessem alertado sobre os monstros vestidos de gente que caminham entre nós. Tudo seria mais fácil. O medo da solidão é imenso, mas indiferença no teu olhar sufoca-me. És um monstro vestido de homem: ficas, mas nunca estás. Consomes-me devagar, como um veneno dado em pequenas doses. Nem sempre amamos quem nos faz bem, é certo e sabido. E o céu, no fundo, também pode ser pintado de vermelho. O alerta está dado.

 

PedRodrigues

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