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sábado, 3 de janeiro de 2015

Casas


Somos casas. Quem está de fora, não sabe o que se passa dentro das nossas paredes. Às vezes, há quem entre e veja todas as fissuras e imperfeições. Então há os que fogem a sete pés, com medo que o tecto caia. E os que ficam: na esperança de um dia morarem em nós.

 

PedRodrigues

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Àquela que se apaixonar por mim...


Boa sorte. Não me tentes procurar em mapas antigos; a maior parte das estradas do meu coração são novas. Sei que não será fácil amar alguém como eu. Não sempre. Não todos os dias. Haverá dias em que não será fácil. Nada fácil. Dias em que me fecharei em copas, com todos os meus problemas – não te vou querer preocupar ou chatear com eles. Sei que quem ama partilha, mas quem ama também protege. É isso que quero: proteger-te. Não me censures. Perdoa todos os meus casos com as palavras, com os livros, com as madrugadas de insónias e as cores das manhãs. Perdoa os textos que te causarão algum embaraço. Alguma exposição indesejada. Só quero usar as palavras para explicar o que trago por dentro. O quanto te poderei amar. Haverá outros dias em que te deixarei desarmada com os gestos mais banais. Os que, ao mundo, parecem absurdos. Deixar-te-ei, por vezes, sem palavras. Mas isso é bom. Em todas elas o silêncio será um aliado, um bem necessário. Não te preocupes se me perder a olhar-te. A tentar decifrar cada traço. Quero guardar-te em mim. Procurar a certeza dessa vertigem que será amar-te. A ti que um dia farás parte desta jornada, peço que não ignores os meus defeitos. Mas que os ames. Como o mar ama as estrelas que nele se reflectem, sem nunca lhes tocar.
 
PedRodrigues

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Último texto de dois mil e catorze



Peço ao mundo um segundo. Apenas um segundo. Peço-lhe tempo para cumprir os meus desafios, para atravessar a meta. Nada mais. Peço-lhe tempo para aprender a guardar comigo aqueles que amo, para continuar a amar a carne, os ossos, o calor dos abraços, a alegria dos sorrisos partilhados. Tempo para me preparar para o depois. Peço-lhe tempo para o agora. É isso que quero. Quero concentrar-me no agora. Nas noites frias de inverno, entre as mantas, a escrever como um louco sobre os amores passados e a possibilidade dos amores futuros; nas manhãs de primavera, com todas as cores que guardo por dentro como se de um quadro se tratassem; dos finais de tarde de verão, à beira-mar, de pés na água salgada; das promessas de outono que acabam sempre por cair por terra como as folhas secas. Quero concentrar-me neste segundo. Procurar em mim o brilho que ilumina a noite escura. Descobrir o mapa para a índia do meu coração, e partir. Sem medo de me perder pelo caminho – todos nos perdemos; todos nos voltamos a encontrar. Partir em busca da felicidade. Encontrar o meu ponto de equilíbrio. Criar. Ser. Ser um pouco mais. Ser cada vez melhor. Crescer. É isso que quero: crescer. Dar amor. Receber amor. Olhar o infinito e sonhar com o seu final. Inventar. Gritar bem alto, como um louco. Sussurrar ao ouvido: és capaz. Porque realmente sou. Capaz de transformar um momento menos bom, numa oportunidade. Recomeçar. Criar um novo zero, um novo referencial relativo. Encontrar. Novas pessoas, novas cidades, novos mundos. Tingir a folha em branco. Com lágrimas de alegria, com sorrisos que disfarcem a tristeza. Usar este músculo que não se cansa de bater. Não ter medo de eventuais taquicardias. Não ter medo. Ir em frente. Sempre. Olhar para o passado como isso mesmo: algo que passou, que não volta. Olhá-lo como um motor para avançar e não como um motivo para ficar parado. Ao mundo peço apenas um segundo. Apenas um segundo de atenção. Há tanta coisa que nos escapa. Concentramo-nos na tempestade e por vezes esquecemo-nos da bonança.

Só preciso desse segundo.

 
E tu? Que precisas? Já pensaste bem nisso?

 

PedRodrigues