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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Balada sobre o terrorismo amoroso


Tem cuidado.
Com os que te dizem ao ouvido tudo aquilo que queres ouvir.
(São os que mais te enganam.)
Com os que te prometem a eternidade.
(São os que menos tempo têm.)
Com os que conjugam o verbo “amar” ao desbarato.
(São os que menos sentem.)
Tem cuidado.
Porque a vontade é passageira, porque quem mendiga por amor, corre o risco de acabar magoado.
Há muito lobo em pele de cordeiro. Muito cabrão em pele de namorado.
Tem cuidado.
E os que jogam ao amor, brincam às relações, ou partem quando deviam ter ficado...
Obrigam-nos a pensar que devemos viver com o coração trancado.
É por isso que te digo, meu amor:
Por favor, tem cuidado.

 

PedRodrigues

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Adeus às árvores


Digo adeus às árvores e avanço. O caminho já tem algumas folhas caídas e cheiro a terra molhada. Olho o céu e procuro os pássaros. No meu peito eles não cabem, e talvez por isso eu não seja capaz de voar. Pergunto-me várias vezes por que motivo continuamos a fazer as mesmas coisas, a repetir os mesmos erros. Talvez percamos demasiado tempo a combater os monstros que vivem dentro de nós. Uma voz aponta-me sítios que havia esquecido. Um dia fui jovem e a minha única preocupação era viver tudo de uma vez. E de tanta pressa ter, perdi a noção do espaço e do tempo. As manhãs nasciam com cores que hoje não lembro; as noites acabavam com os copos vazios e uma nova paixão de bolso. Amores foram passando, sem que nunca prestasse verdadeira atenção aos contornos dos seus lábios. Talvez nunca lhes tenha dado a atenção devida. Era jovem e parvo. Nunca tinha percebido a verdadeira beleza de acordar de manhã com alguém que amamos ao lado. Agora talvez me falte o tempo para procurar novamente essas cores que um dia foram minhas e não soube guardar – tal como ela. Agora o cheiro do Verão desapareceu. Só espero ir a tempo de sentir a Primavera. Ver o desabrochar das flores; ouvir o canto das andorinhas; aguardar que as lagartas saiam borboletas dos casulos; transformar-me.
Amanhã acordarei antes do sol nascer. Quero guardar-lhe as cores, enquanto te tenho ao meu lado. Nesta vida estamos condenados à dolorosa passagem do tempo. Talvez daqui a uns anos não acorde com dores no peito. Dizem que a saudade é isso: um aperto no peito. Estamos sempre a aprender.

 

PedRodrigues

sábado, 4 de julho de 2015

Ao Porto


Da cidade ficam as imagens das casas emparelhadas umas nas outras, formando um quadro de cores, ou uma espécie de poesia urbana que se entranha por dentro. No rio bóiam barcos e recordações de um país com pronúncia do norte. Há, neste espaço, uma simpatia palpável. As pessoas são calorosas e olham-nos nos olhos, sem medo. A beleza da cidade do Porto só é superada pelo calor humano das suas gentes. Gosto de pessoas assim, sem medo de serem autênticas. Gosto de quem cumprimenta um desconhecido com um “bom dia” e um sorriso genuíno. Sabe-me bem. Faz-me sentir em casa, mesmo estando a centenas de quilómetros. É isso que me atrai no norte: as suas pessoas. Não só a sua beleza. Porque as cidades não vivem de si, mas de quem nelas habita: são feitas de gente. E as gentes do Porto são feitas de norte. Esse norte tão frio que as torna tão calorosas. Há, realmente, um Porto onde se morre de amor. Uma cidade que se dissolve nos corações de quem nela habita. E é transmitida e reproduzida fielmente em cada canto, no sotaque carregado das conversas de rua. Ou nos gestos e na bondade dos nortenhos. Há um Portugal suave, aqui. Um espaço onde sonhar é permitido.

 

PedRodrigues