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segunda-feira, 17 de março de 2014

Acerca de olhares, dúvidas, monstros e heróis

Estás estranha. Olhas para o céu, como se esperasses por uma resposta. Desvias o olhar quando te tento encontrar. Não percebo por que razão o fazes. É só uma pergunta

-Amas-me?

Feita ao acaso. Só um

-Amas-me?

Como se te perguntasse

-Tens frio? Queres o meu casaco?

Perguntas simples, de resposta simples. Chega-me um sim, mas se vier um não também aceito. Que remédio, tenho de aceitar. Porque te amo e se for preciso continuo a lutar contra todas as tuas dúvidas e inseguranças. Só quero que me respondas, sem rodeios. Sem procurares a resposta nas estrelas. Olha nos meus olhos. Aposto que se olhares com atenção encontras o que procuras. Foi assim que te encontrei. Lembras-te? Tudo começou nos teus olhos e nos meus olhos. Olhámo-nos uma vez e acabámos por ficar presos nesse olhar. Guardavas tantos segredos por desvendar no teu olhar. Ainda guardas alguns. Alguns não: muitos. São eles que me prendem a ti. Porque eu procuro o que não conheço. Necessito desse desafio de navegar pelo desconhecido. Encontrar-te ao longo do tempo e amar-te a cada nova descoberta deixa-me feliz. Palavra de honra que me deixa feliz. Consegues ver a felicidade nos meus olhos? Vês como brilham? Para de olhar o céu. Esquece as estrelas cadentes. Pede-me o que desejas e, se estiver ao meu alcance, farei tudo para que o teu desejo se torne realidade. Olha para mim

-Amas-me?

Não tenhas medo. Esquece o passado. Eu sei que é difícil. Estou aqui. Estamos aqui. Vivemos no agora. Esquece o passado. Tens medo? Também morro de medo. Morro de medo e morro de amor e no entanto aqui estou, ao teu lado, vivo. Consigo sentir a tua pele misturada na minha pele. Dá-me um beijo e perde-te comigo. Esquece tudo. Por um segundo. Ouve o meu coração no teu coração. O meu coração bate por ti. E o teu, bate por mim? É em mim que pensas quando me beijas? É em mim? Na certeza de mim? Naquele momento em que fechas os olhos e os nossos lábios se fundem, é a minha imagem que guardas contigo? Esqueces os medos quando me beijas? Antes de nascerem os heróis, nasceram os monstros. Sou eu o teu herói? Tens medo que me torne num desses monstros? Não tenhas medo, estou aqui para te proteger. Não sejas tonta. Juro destruir todos esses monstros. Beija-me. É a minha imagem que guardas contigo?

-Sim

Olha para mim, olha bem para mim e repete

-Sim. Amo-te.

Agora fecha os olhos. É a minha imagem que trazes por dentro?

-Sim

É a tua imagem que trago por dentro. É o teu nome que suspiro ao adormecer. É o teu corpo que desejo a todo o momento. É de ti que ressaco quando não estás. Veste o meu casaco, está frio. Encosta-te a mim, prometo ser o teu herói.

PedRodrigues


terça-feira, 11 de março de 2014

Texto sem título

É assim que te escrevo, neste jeito tonto de juntar as palavras com desenhos animados e cores confusas que contam o que trago vestido por dentro. Entendo-te nas entrelinhas e invento-nos de mãos dadas num pôr do sol qualquer, num sítio qualquer, num tempo qualquer. “Temos tudo para dar certo”, penso nisto vezes sem conta, até que me perco a imaginar que o tudo nunca é tudo e que há sempre a pequeníssima possibilidade de algo dar errado. Penso nisso e assusto-me, mas depois vejo a tua imagem e sossego-me. “Amanhã, se tiver coragem volto a pensar nisso”, digo baixinho para que nem as paredes oiçam. Está sol lá fora e se aqui estivesses estarias ainda mais bonita. O sol assenta-te bem. És linda e o sol sabe disso e talvez por isso te tenha escolhido. Não tenho inveja do sol, porque o sol mora a anos luz de nós e lá no fundo sei que os teus olhos não me mentem e que são apenas meus. Dizes-me que és minha e eu ouso acreditar com todas as forças que isso é verdade. Há quem me chame louco por acreditar naquilo em que acredito, mas eu não me importo. Acredito em ti como acredito nas cores da manhã que vai acontecendo lá fora. Sou teu. Também eu sou teu. Há correntes que nos prendem e das quais não me quero soltar. Contar constelações nos teus olhos é o meu passatempo favorito. Sinto-nos certos, mas podemos estar errados. Amanhã penso nisso. Hoje deixa-me aqui ficar, junto àquilo que me faz sorrir como um louco. Junto a ti.

PedRodrigues


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Física Quântica

Amor, 

Lembrei-me de ti no outro dia, enquanto folheava um dos meus livros de física e o título “Entrelaçamento Quântico” me fez parar um pouco, respirar, e perder-me em concepções românticas de textos e frases. Segundo o que li, o entrelaçamento quântico é um fenómeno da física quântica em que dois ou mais objectos estão de alguma forma tão ligados que um não pode ser descrito sem que o outro seja mencionado. Pode haver um universo a separar esses dois objectos, essas duas partículas, esses dois bocados ínfimos de matéria, mas eles estão tão ligados que, as medidas utilizadas num influenciam instantaneamente o outro. Algo deste género, quase surreal.
Ao ler isto, vezes sem conta, senti-te em mim. Senti-te nas minhas veias, a percorreres desenfreada o meu corpo. E apesar de desafiar toda a lógica e toda a razão, acreditei que eras realmente tu que vivias em mim. No início fomos partículas no vazio, interagindo e movimentando-nos em uníssono. Fomos partículas até o universo explodir e os sistemas evoluírem, cada um à sua maneira. Nós evoluímos com eles. E aqui estamos, tempos após o início dos tempos. Matéria da mesma matéria. Carne da mesma carne. Sangue do mesmo sangue. Não há razões para crermos que alguma vez perdemos o nosso entrelaçamento quântico – ao que parece, isso é algo que não se perde. Hoje, quando digo que me perco em ti, ou que te sinto perdida em mim, quando te digo que  te conheço desde o início dos tempos, digo-to com razões para crer que assim o é. Que há algo, para lá da própria lógica, que prova que estou certo.
Um dia fomos partículas a dançar um tango no vazio. Há partes em mim, átomos que fazem parte de mim, que continuam essa dança e te procuram, todos os dias, através do espaço e do tempo.

Estamos juntos desde o início,
Estaremos juntos até ao fim.


PedRodrigues